Como explicar? Como entender? Como dizer que simplesmente sei, porque senti antes mesmo de qualquer notícia chegar?
Fugi. E corri, corri, corri, querendo ir pra bem longe. Querendo não saber, não sentir.
Milhões e milhões e milhões de pessoas no mundo. Como é que mesmo assim a gente consegue ser tão único?
Como é que mesmo assim há momentos em que somos estrangeiros absolutos em qualquer lugar?
Existe em mim um amor imenso. Um amor profundo e transformador. Eu sei que ele transformaria o mundo todo se apenas tivesse espaço pra existir.
Mas não. Não há.
A sensação é de estar no fundo do mar. Flutuando. Se eu gritasse, o som não chegaria a lugar algum. Se eu chorasse, as lágrimas se confundiriam com todas as águas à minha volta. Nada, nada é possível no fundo do mar. não há nada em volta, nada por perto...
E nada, nada do lado de dentro.
E ainda assim, é possível descobrir que ainda existe alguma coisa quando a gente tem vontade de correr pra longe, tão pra longe do grande nada que o tudo se tornou.