sábado, 28 de março de 2015

Então.

Eu tentei, e lutei com todas as minhas forças pra não escrever esse texto.
Mas uma hora ele teria que explodir de dentro de mim.
Uma hora eu ia chorar ao me lembrar de novo e de novo do modo como você sorria pra mim. E das suas mãos nas minhas, e da tua boca na minha. E no modo todo seu de uma delicadeza infinita. E do teu modo inteligente de perceber nuances e sentidos que ninguém mais seria capaz de perceber.
Da primeira vez que você tentou me mandar embora, eu te falei que não ia. Não. Eu não queria. Tinha tanto pra descobrir e pra viver com você! Eu não pensava em eternidade nem compromisso não, mas em envolvimento sim. Eu queria me envolver, conhecer os detalhes da sua história, dividir partes bonitas da minha vida com você, receber o que quer que você quisesse dividir comigo.
Talvez eu não tenha te percebido como deveria. Porque você não estava preparada para nenhuma das coisas que eu te falava... Talvez todas as histórias sejam de alguma forma descompasso, há aquele que se afoba e não percebe que nada é pra já. E há aquele que não quer, ou não pode.
Da segunda vez que você me mandou embora, aquilo me machucou. Porque não me parecia necessário que você escolhesse por mim com quem eu deveria querer ficar. Se eu quisesse, e quando eu quisesse, eu iria. Você não precisava ficar comigo. Mas não precisava ter lutado tanto pra me empurrar pra outros braços. Não precisava, e até agora me pergunto o sentido disso sem encontrar.
Doeu? Não? Não doeu.
Convence as paredes do quarto e dorme tranquilo...
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo.
Das inúmeras formas de te fazer feliz que eu poderia experimentar até descobrir. De aprender a ver você, cada vez mais de verdade. Do tempo de pipa e da menina cega. Das pequenas verdades bonitas que foram sendo deixadas pelo caminho.
O amor fica pra sempre. Mas a história... Aquela história que estava sendo bonita a cada momento, que poderia ser infinita mesmo que fosse apenas até a semana que vem... Essa ficou assim, desastradamente onde parou.

Porque da terceira vez que você de novo me mandou embora... eu simplesmente fui. 

Mas fui deixando o protesto nas palavras da minha amiga Silvia:
A porta grande se abriu e a chave era nossa. Minha e sua. Era nossa e estava tudo lá, como se sempre tivesse existido a pele nua em contato uma com a outra, as falas mansas, os risos, as coincidências, as identidades, as diferenças, a força. Sim, a força. Desejo vulcão. Mansidão de mares profundos. Claridade de revelações. Sentidos aguçados para o que vem de dentro. Comunhão. Quente e frio. Doce, salgado, pimenta, açúcar, vinho nos lábios. Choros e risos. Nós duas ali, nuas e inteiras em nossos espelhos invertidos. Foi muito, e ainda mais.
A despedida se fez em silêncio duro, em uma morte brutal para quem acabou de nascer. E nascer assim, com tanta vida. Com tanta luz. Com tanta beleza. Com tanto presente florido e cheiro de mato. Com tanta vontade e espaço para crescer. E para ser qualquer coisa: vento, perfume, roupas coloridas, abrigo, casa, poeira, árvore com fruta madura, rio cheio. Só não podia ser assim: corpo morto. Não, não podia. Era muito.
Onde se guarda o desejo que não se vive? Em que porão a gente coloca a vontade que arde por dentro? Qual o baú que tem tampa grande o suficiente para abafar a intensidade de um encontro? Com que racionalidade se enterra o sentimento?
Fui. Você me pediu pra ir tantas vezes que não encontrei outra foma de ficar... To pertinho ainda. Se não for nada disso, me diz. Porque eu to pertinho. Alcançável ainda. Mas em breve eu sei que desapareço. Desapareço pra tudo isso. Porque é vida que segue. Porque amor é travessia. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Gratidão

Eu acho que todo ser humano merecia, pelo menos uma vez na vida, ter um momento perfeito. Um instante em que ele olhasse pra tudo o que passou, de bom e de ruim, tudo de uma vida inteira e pudesse dizer: Valeu a pena.
Se toda a história foi decisiva pra se alcançar esse instante, então tudo valeu a pena, e eu cumpriria tudo de novo um milhão de vezes, só pra chegar de novo nesse mesmo lugar, porque não há nenhum outro instante em que eu quisesse morar mais do que esse...
Um instante onde a gente implora pro relógio passar as horas bem devagarinho, porque a vida flui cuidadosa, conhecendo, reconhecendo, experimentando.
Nunca ninguém me olhou da forma como você me olhou. Tenho certeza disso.
Eu sou de verdade, mas olho pra você e também tenho vontade de perguntar sobre essa coisa de ser de verdade, já que você entende tudo o que eu falo e na forma que digo.
Todo mundo merece esse instante, onde a vida se reveste de um imenso significado.
Esse meu instante foi agora.
Obrigada por existir!

terça-feira, 3 de março de 2015

Pode entrar!

Essa mensagem é pra você que tá chegando agora porque eu convidei.
Entre. Desculpe a bagunça. Está tudo bem empoeirado aqui.
Quando eu te disse que tinha um blog, mas fazia tempo que eu não escrevia nele... Acabei voltando pra reler algumas coisas.
E fiquei feliz, sabe? Bem feliz.
Porque encontrei aqui um sentimento de inadequação, aquela coisa de "sempre tenho a impressão de que faço tudo errado"... Anos de história, pra hoje de manhã eu te dizer que "tudo o que vivi me trouxe aqui e por causa disso sou perfeita".
Lembrei de todas as vezes que eu tentei me adequar ao que eu achava que era bom, bonito, padrão... Lembrei de todas as vezes em que me recriminei por não ser perfeita...
E hoje eu enxergo perfeição em mim, em você, em algumas pessoas que nos rodeiam e você sabe quem são... E isso me dá um sentimento de aconchego tão grande!
Uma sensação de que, haja o que houver, eu me pertenço. Eu estou em mim, no agora. Não há nenhuma história passada que eu troque pelo dia de hoje. O meu hoje é o lugar mais extraordinário que já estive.
Nem sempre é tudo comercial-de-margarina. Nem sempre é fácil. Mas é tudo de verdade, tão de verdade como nunca tinha sido antes. Sou capaz de dar risada, chorar, gritar, dizer não... E ver-me com direito ao não e ao sim. E ter liberdade suficiente pra falar sobre o quanto você é linda. Não porque quero qualquer coisa, mas porque eu posso dizer. Porque não acho que a gente precise esconder quando vê beleza no outro, aquela beleza que vem de dentro e vem de fora, e encanta, apenas. Por quê raios deveria ser proibido de dizer?
E verdade que a maioria das pessoas foge quando se sente gostado. Porque a gente é educado pra ser desejado como se fosse bife no açougue, e quando chega alguém que olha pra gente, pra gente mesmo, pro que a gente é de verdade, alguém que não vai se contentar só por um momento, dá um medo doido. Pelo menos em mim deu quando eu fui olhada assim.
Mas nada é pra já, sabe?
A vida acontece acelerada, mas o melhor dela acontece quando é saboreada. Quando a gente passa tempo. É o tempo que você tem com a sua rosa que faz ela ser diferente de todas as outras... Tempo pra perceber os detalhes, tempo pra reconhecer os gestos, tempo pra estar junto de verdade, antes, bem antes de qualquer outra coisa. Tempo pra ver o que surge, tempo pra aceitar o que for (o sentimento pode ter infinitas formas)...
Ah! Isso não é nada ainda. É só um instante. Bonito. Mas um instante.
Vai ficando, Tem mais.
Você tem um mundo pra me apresentar, e eu quero conhecer. Eu tenho um mundo pra te apresentar também. No tempo certo. Pode valer a pena. Seja o que for.