segunda-feira, 16 de junho de 2014

Futuro do Pretérito

E essa é minha ultima história de futuro de pretérito.
Depois dessa, só o presente me interessa.
Porque eu te olhei com amor. Eu ouvi você falar de tudo o que queria, de tudo o que esperava. E foi impossível não pensar que eu te daria tudo isso e muito mais. Todo o amor, toda a atenção que você merece. Eu não te esconderia. Eu teria orgulho de você. Eu teria orgulho de passar meus momentos com alguém com a tua delicadeza, com a tua inteligência, com o teu caráter.
É sempre difícil quando chega esse momento em que não tem mais pra onde ir. Onde tudo o que tinha pra ser dito já foi dito. Onde não há mais nenhum sim, ou nenhum não, que pudesse mudar o resultado. Onde a gente percebe que os caminhos da vida são rebeldes.
Eu te quero feliz.
Dessa vez eu paro bem antes. Não vou tão longe quanto da ultima. Porque a ultima me despedaçou, e nem sei se eu já tinha de volta todas as partes que ficaram pelo caminho.
Ser livre. E acreditar na força da vida. E acreditar que, ainda que a gente não veja nada adiante, a vida sabe pra onde está nos conduzindo. Porque eu acredito que nenhum amor é em vão. Se ele pode ser sentido, existe alguma razão. Ainda que a gente não saiba.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O amor do dia-a-dia

Quando eu perguntei pra minha mãe se ela me amava, ela me respondeu:
- Claro, toda mãe ama o seu filho.
Quando eu perguntei para o ex-marido se ele me amava, ele me respondeu:
- Claro, senão não estaria casado com você.
O que eles não entenderam é que, se eu estava perguntando, é porque em algum momento, de alguma forma, esse amor não estava tão claro assim. E que a resposta só me deixava mais aflita, pois ilustrava a pouca importância que davam ao assunto. Um assunto que, do meu ponto de vista, era quase um pré-requisito da minha existência.
Não que a gente deva amar esperando algo em troca. Mas se estamos numa relação que baseia-se fundamentalmente nesse amor que a priori existe, então ele precisa existir, caso contrário a relação não faz sentido.

Quando eu fazia essas perguntas, e recebia essas respostas frustrantes, o que eu buscava na verdade era uma declaração de amor. Era que me olhassem nos olhos, e me dissessem que sim, eu te amo por causa do seu jeito de rir, por causa do seu modo de olhar, por causa da maneira como você acorda de manhã, ou por causa da sua mania de colocar seus óculos sempre no mesmo lugar na hora de dormir, pra ter certeza de saber de manhã onde estão, enfim, por qualquer motivo que me tornasse única no meio de tantos bilhões de pessoas do mundo... Eu sei lá. Talvez eu sempre espere demais. 
O que eu sei é que todo amor não se faz só de declarações. Mas de pequenos momentos como "ouvi essa música e lembrei de você" ou "quando aconteceu aquela coisa tão extraordinária comigo eu lamentei você não estar junto pra ver" ou ainda "eu sabia que você também estava com sede então trouxe água pra mim e pra você".
Esses momentos cúmplices, compartilhados, que fazem a gente pensar "que sorte eu tenho de dividir um tempo, um espaço e um sentimento com essa pessoa tão bonita". Quando isso não existe, quando as relações se esvaziam de momentos encantadores, (que não precisam ter nada de extraordinários), não vejo como não ir embora. 
Nesse caso, faz mesmo sentido permanecer? Não sei.
Deixo pra pensar nisso quando eu estiver de novo nesse lugar. Porque por agora meu universo se enche de pequenas delicadezas encantadoras. Mesmo que nem tudo seja fácil. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Só sei que tem que continuar.

Eu estava prestes a entrar em cena. E meu personagem era um homem chamado Johnny (escrito assim mesmo, porque me lembro de ter lido no texto da peça). Alguns dos meus amigos estreavam a peça comigo. Meu personagem homem Johnny tinha um andar gingado e era meio bandido. E isso era a única coisa que eu me lembrava sobre ele. O resto eu tinha esquecido. E a cortina já ia abrir e eu percebi que tinha tido um branco. Não me lembrava sequer da história contada na peça. Nem do nome da peça. Nem de nenhuma das minhas falas ou de qualquer fala dos demais colegas de palco.

Entrando no palco, tinha um menininho perdido. No meio do palco. Ele não fazia parte do elenco, só estava ali. E ele olhou pra mim, deu um lindo sorriso e disse: “Você é bonita”. Eu respondi: “Obrigada”, mas pensei que aquilo estragava mais ainda meu personagem, que afinal era homem, porra.  Olhei ao redor me perguntando se nenhum colega de fora de cena poderia tirar aquela criança dali pra gente continuar o espetáculo e fui sentar numa espécie de arquibancada que havia no cenário (na primeira cena estávamos assistindo a um jogo de futebol), enquanto meus colegas iniciavam suas falas e um suor gelado corria da minha testa. Em cena, sem ter a menor ideia do que fazer ali, tentando pelo menos manter o personagem pra não atrapalhar o espetáculo... Porque ele sim, tinha que continuar.  

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A pequena vendedora de fósforos

Não é culpa de ninguém. Se for responsabilidade de alguém, é só minha.
Mas eu estou com raiva. E pela primeira vez na vida eu me permito estar com raiva. Por quê sempre quando chega na minha vez acabou o amor? O amor que estava lá apenas um pouco antes?
Quantas vezes isso já aconteceu? Quantas outras voltará a acontecer antes que eu também desista? Conheço muita gente que desistiu. Cansou. E eu também não estou mesmo mais cansada do que gostaria?
A gente passa uma vida inteira ouvindo que nossa presença não é importante o suficiente. Não é desejável o suficiente. Não é suficiente, simplesmente. A gente se sente como se fosse deficiente. Há gente que não escuta, há gente que não enxerga, há gente que não existe pra ser amada. Simples assim. E internamente a gente se repete que isso não é verdade, que devem existir outras realidades onde sejamos suficientes, e a gente se repete tudo aquilo como um mantra, todos os dias. E de alguma forma a gente até aprende a se olhar com um certo carinho, e entender que, sim, até que pode se amar. Mesmo que o aprendizado sempre tenha sido o de não ter importância, a gente se repete internamente até a exaustão que, ainda que a gente não saiba, pra alguém, em algum lugar, de alguma forma, a gente há de ter importância. Não só pra nós mesmos. Porque a gente sabe que de alguma forma tem pra oferecer de volta aquilo que deseja. A gente tem qualquer coisa bonita nas mãos pra oferecer. Mas, dia e noite, todo mundo passa apressado e ninguém espera pra ver os fósforos que a gente tem pra oferecer.  Aquela luzinha pequena que ilumina e aquece o suficiente apenas por alguns segundos, mas que com o combustível certo poderia sim causar um incêndio. Mas falta tempo aos outros para perceber. Ou para que isso tenha alguma importância.
Porque há dias de fragilidade extrema. Onde um abraço e um “eu me importo com você” fariam diferença...
Tem dias que eu tenho vontade de gritar. Tenho vontade de também conseguir dizer foda-se. Não consigo.
Mas subitamente entendo porque estou na escola. Porque pensam o mesmo sobre as crianças. Dizem que eles não tem valor. Ninguém tem tempo pra perder com eles. Eles só servirão depois que forem úteis materialmente. Só terão valor depois que apresentarem os resultados materiais. Antes disso devem fingir que não existem e incomodar os adultos o mínimo possível. E a cada  criança que eu consigo fazer surpreender, eu devolvo um pouco de esperança pra mim. Eu trabalho com eles e depois digo pros pais deles: “Olhem pra eles. Olhem como são lindos. Olhem o que sabem fazer, orgulhem-se deles. Orgulhem-se deles hoje, e não só depois que crescerem...”  Costuma funcionar. E dessa forma eu acendo mais um fósforo. E vejo as paisagens mais bonitas. Até que o fósforo se apaga e cá estou novamente. Porque pra mim não tem. E, não, ainda que fosse menos dolorido me conformar, não consigo... Quando chega na minha vez acabou. E não há nada que possa ser feito sobre isso.

Sim, eu tenho direito de sentir raiva porque as coisas são desse jeito. Sim, eu tenho o direito de desejar, só por hoje, não estar tão sozinha. Então eu desejo. Mas isso também não tem importância. No fundo eu sei que é só por hoje. E isso vai passar. Enfim.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A verdade

E eu fico aqui tentando pensar com calma, mesmo sabendo que tudo isso tem muito mais a sentir que a pensar.
Mas eu queria falar do meu desejo. Do meu desejo profundo hoje. Era te olhar nos olhos e te dar um abraço. Um abraço que te fizesse entender que, sim, eu quero fazer parte da sua vida. Pra te ver livre. Pra te ajudar a reconhecer o universo extraordinário que você tem guardado só pra você aí dentro.
De verdade era bem pouco o que eu queria. Era que você pudesse me olhar nos olhos também. E ao olhar profundamente nos meus olhos, perceber a verdade do que digo. Que não houvessem cicatrizes gritando e te dizendo: “preserve-se, porque ela vai te deixar tão brevemente como veio”
Se nós dois viéssemos zerados de histórias, seria provável que nos déssemos as mãos e pulássemos juntos dentro dessa história, aceitando alegremente qualquer lugar onde ela nos levasse. Mas é bem complicado amar depois que ficamos adultos. Porque outras histórias já aconteceram, e doeram tanto tanto. E um dia a gente tem que olhar praquela nova pessoa e lembrar que ela não é nenhuma das que já passaram antes. Porque algo em nós insiste em dizer que é, e que é muito mais fácil sair de perto agora, pra doer só um pouquinho, do que sair depois que a ferida estiver aberta toda de novo. A gente pensa que vai se odiar se tiver se permitido acreditar mais uma vez, pra mais uma vez perceber que só era mais do mesmo, perceber que só se confirmava aquela velha profecia interna que disse que o melhor mesmo era a gente ficar sozinho pra sempre.
Eu não tenho como combater nada disso. Vontade de dizer: “Ei, olha pra mim, eu também posso ser alguém extraordinário”. Mas qualquer coisa que eu dissesse seriam apenas palavras. Então eu digo que vamos ser amigos, e sim, acho que independente de qualquer coisa seremos mesmo bons amigos. Mas eu vou me deixando ficar aqui, bem quietinha, quase escondida, pra tentar entender como isso tudo funciona, porque eu também tô com medo. Tô com medo dessa delicadeza que chega a me comover. Tô com medo dessa coisa tão rara de quando a gente encontra alguém e antes mesmo de se dar conta, percebe que “essa pessoa valeria muito a pena poder amar”.

É um lugar tão delicado de se estar, que o certo seria mesmo dar o fora. Mas não vou. Talvez porque eu nunca tenha estado num lugar assim tão bonito. Talvez porque então deva valer a pena, seja qual for o preço de permanecer aqui. Talvez porque eu sou a menina que espera. Espera quanto precisar. Até que me convidem pra entrar.   

Leveza é uma escolha

Leveza é uma escolha. E eu simplesmente não tenho outro caminho.
É desse jeito que fui me fazendo, principalmente nos últimos dois anos. Entendendo que as coisas podem não ser simples, nem fáceis, mas que olhar com alegria ajuda a seguir em frente de um jeito muito mais doce. Hoje, tudo, absolutamente tudo o que eu coloquei na minha vida eu escolhi. Eu quis que estivesse na minha vida. Como então eu poderia reclamar? A porta está aberta, eu posso sair a qualquer momento...

Não. Eu não tenho nenhum motivo pra reclamar. Mas ainda fico indignada com tantos tesouros trancados escondidos. Ainda quero trazer pra fora aquela luz maravilhosa e deliciosa que só fica escondida debaixo da cama. Aquela luz que um dia foi generosamente compartilhada comigo. Todo mundo deveria conhecer aquilo e o mundo seria um pouquinho mais encantador...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Aprendendo

Hoje eu queria tanto tanto te encontrar. Nem que fosse só pra ganhar um sorriso, lançar um de volta...
Porque tem dias que é meio noite. Tem dias que a gente encontra aspectos da gente mesma pelo caminho... Elementos que não deveriam ter vindo conosco, mas acabaram vindo sim, e um dia a gente olha e se assusta e pensa "como isso veio parar aqui?"

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Da natureza selvagem...

E a vontade dela naquela noite era uivar pra lua. Mesmo que já não soubesse reconhecer se a lua daquele dia estava crescendo ou minguando.
O coração solitário do lobo. O reencontro com a sua essência.
A certeza de ter se descortinado mais uma vez. E o encontro da verdade de que faria sempre, e sempre. Porque isso fazia parte da sua própria natureza. Porque despedaçar-se era o jeito de estar inteira. Porque virar água e ir embora com o rio era apenas o que ela sabia fazer de melhor...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Do nada.

Do nada um dia a gente encontra uma porta muito escondida atrás da estante. E a gente até tem que olhar de novo, porque da primeira vez que passou não tinha reparado muito bem, confundindo com um desenho bonito na parede ou algo assim.
Mas que daí a gente chega perto e experimenta a fechadura, só mesmo por experimentar, jurando que vai encontrá-la trancada.
Mas ela se abre. E mostra um mundo lindo do lado de dentro. E a gente olha, com medo desse mundo ser delicado como uma bolha de sabão e explodir ao toque. E quanto mais a gente olha, mais acha bonito.
E a gente acha tudo tão delicado, que tem medo de sem querer quebrar alguma coisa.
E continua espiando de fora. Com curiosidade e encantamento.
Torcendo pra algum dia, quem sabe, com amor e um pouco de sorte, ser convidado pelos moradores da casa a conhecer o lado de dentro.
A vida tem das suas surpresas.