terça-feira, 31 de julho de 2012

E hoje, de alguma forma, um cansaço...

Enfim.
A ficha caiu.
Não tenho mais mãe. Agora EU sou a mãe. Agora sou eu quem cuido. Do meu pai do meu filho, dos meus irmãos, dessa casa, do trabalho... de tudo.
Minha mãe tem auxílio funeral, correspondente a um mês de salário dela. Mas tem que dar entrada nisso na Secretaria da Fazenda.
Meu pai vai ter pensão porque minha mãe era funcionária pública. Mas tem que ir atrás disso.
Todas as contas da minha mãe em banco precisam ser fechadas. Todos os cartões precisam ser cancelados.
Essa casa tem uma TV a cabo que é paga todo mês mas que não funciona. Tem que mandar consertar.
O chuveiro do meu quarto derruba o disjuntor se o banho passa de 05 minutos. Tem que trocar o disjuntor.
Boa parte das coisas do meu pai continuam entulhadas no meio do meu quarto, e eu preciso esperar ele fazer, porque as coisas são todas dele. Ele tem que decidir o que é pra jogar fora, o que vai manter. Com muita delicadeza, que o momento é sensível.
Preciso ir na auto-escola. E na academia. E falar com o terapeuta. E com a advogada do divórcio. Comprar roupa de frio pro João, que as dele estão todas pequenas demais. Cuidar do meu pai, fazê-lo ter a segurança de não estar sozinho.
Preciso trazer um bando de coisas que ficaram na outra casa e que ainda não caberiam aqui.
Preciso retomar boa parte das atividades do trabalho.
Preciso decorar o texto da Madalena. E relembrar as falas de Lisa. E achar o figurino delas.
Preciso decidir com meus irmãos, dentre essas coisas, quem vai fazer o quê. Pra gente dividir um pouco.
E então eu olho pra tudo isso....
E, sério, me bate um cansaço tão grande... Não sei nem por onde começar a organizar. Lutando bravamente contra a imobilidade, a paralisia, a vontade de dormir e só acordar daqui a seis meses, com tudo isso resolvido, terminado...
Repito o mantra das mães: Vai passar, vai passar, vai passar...
Mas tem dias que tudo parece tão grande e eu tão pequena...
Mas vai passar.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Fim

E então, enquanto eu escrevia o post anterior, o coração da minha mãe deixava de bater. Uma hora ou pouco mais depois de eu pedir que ela fosse... Ela já não estava mais entre nós.
Daí em diante foi aquela correria. Corpo, contato com hospital, sepultamento. Familia. Avisos a todo mundo .
Hoje é o dia seguinte. Não tenho mais que organizar as noites com ela, não tenho mais que guardar o dinheiro pra pagar as plantonistas do dia, não estou mais ansiosa pensando que a qualquer momento o telefone pode tocar. Ele já tocou.
Acabou. Acabou toda a vida que eu conhecia. Por minha escolha acabou também todo o resto. Organizar tudo agora. Meu quarto, minha casa, meu pai, meu filho, meu trabalho, meu divórcio, meus horários, o teatro.
Academia a partir de hoje. Porque preciso zerar o meu corpo. Se quero continuar sendo atriz, (e já sei que isso é o que realmente me realiza), eu preciso de um corpo diferente desse. Ele tem que comportar qualquer personagem. Pra isso eu tenho que emagrecer no mínimo uns 20 quilos. Pra já. Pra que no trabalho com Shakespeare eu já possa encaixar-me em qualquer papel e não precise ser sempre a mãe de alguém...
E o meu amor, imenso amor que guardo aqui?
Pois é, esse ainda me dói. E vou ter que aprender a lidar com isso. E ok, é exatamente o que vou fazer.
Ele é meu amigo. E ponto. Vou ter que conviver com isso, com toda a gratidão pelo nível dessa amizade.
Ele tem histórias. Ninguém chega zerado ao outro. Infelizmente eu também tenho as minhas. E elas também me doem. Sete anos de casamento com um homem que me amava (e me ama até hoje), mas que nunca me tocava. Não sentia atração física por mim. Não tinha tesão. E eu me sentia frustrada, problemática, achava que a responsabilidade disso era toda minha e que deveria haver algo que todas as outras mulheres soubessem menos eu para serem sensuais, atraentes ou sabe-se lá o raio que o parta que ele estivesse procurando e não encontrava em mim.
Isso não fez nada bem pro amor que sinto por mim mesma. Machucava. Machucava todo dia.
E agora de alguma forma vejo acontecer bem parecido, doendo no mesmo lugar... Uma simples constatação de que ele é meu amigo porque não se sente atraído por mim, não tem vontade de beijo na boca, nem de sexo, nem de nenhum contato físico que remeta a alguma coisa diferente de um cuidado e carinho imensos.
Se ele sentisse tesão por mim já seria complicado, porque eu teria medo, Mas dessa forma, então... muito mais.
Não banco mais. Tô numa fase em que eu me jogo nos meus sentimentos, e não ligo de me machucar. Quero mais é viver de verdade, mesmo que isso me cause algumas feridas. Mas não exatamente no mesmo lugar que foi machucado uma vida inteira, e agora precisa cicatrizar. A gente não é só alma se comunicando. A gente é corpo, um corpo que quer e precisa ser aceito, desejado... Eu não sei lidar com isso, mas preciso aprender. Eu não sei o que fazer com meu corpo, não soube a vida inteira o que fazer com ele. Eu não me sinto em casa dentro dele, é como se ele fosse uma coisa estranha que não representa quem eu sou de fato, um peso que eu carrego comigo pra todos os lugares. Mas agora ele grita pedindo atenção, pedindo pra ser acolhido de fato, pedindo pra se integrar em quem eu sou.
Tá na hora de sintonizar no mundo fisico. Entrar em contato com meu corpo, experimentá-lo de fato, acolhê-lo, e (por quê não?) sentir esse corpo desejado. Por mim e pelo outro. Eu preciso muito disso. Eu preciso muito saber que corporalmente não sou uma mulher deficiente, que repele os homens, que não conseguem enxergar nesse corpo uma mulher. Eu sei que é absurdo, mas é assim que vejo, que sempre vi. E sei que isso é uma responsabilidade inteiramente minha e só eu posso resolver.
Então não dá. Amor sem contato físico é amizade. Eu aceito a amizade. Mas ao mesmo tempo então tenho que calar o meu amor. Porque senão ele vai doer. Vai doer a falta da proximidade, e eu vou ficar repetindo pra mim mesma que é claro que as coisas são assim porque tudo o que tenho de atrativo não está no corpo, e é claro que ele não olha pra mim porque ninguém olha, porque meu corpo não existe pra ser visto dessa forma e nunca foi. E eu vou continuar me machucando assim se continuar com isso. Repetindo a mim mesma o que a minha mãe dizia sobre a minha inadequação, sobre eu ser desajeitada e feia. Não. Minha mãe morreu e eu escolho que a partir de agora as coisas são diferentes.
Sim, ele me ama. Ainda que não diga, eu sei, porque ninguém é tão atencioso e fantástico com o outro se não for por amor. Mas atração física é outra coisa. Acontece, não depende da vontade de ninguém. Ele não tem como forçar isso, e me resta entender. E me preservar. Eu sou a única responsável pelos meus sentimentos e minhas escolhas... Eu não banco fazer de novo isso comigo, de ficar á espera de um toque qualquer a me lembrar que sou mulher. Eu tenho que resolver isso sozinha, de forma independente, pra que pare de doer.
E então, nesse momento, eu faço a única coisa que posso: ficar em silêncio. Sem novas mensagens, sem telefonemas, sem procurar mais nada. Aproveitando a parte boa e sendo grata por ela. E mais nada.
O resto pertence a mim.




sábado, 28 de julho de 2012

Agora vai. Por favor.


É. Tá doendo. Essa coisa estúpida e violenta que é ter que lidar com a proximidade da morte. Não, não com a morte em si. Mas com esse “estar morrendo” que parece prolongar-se pela eternidade afora, salpicando tudo de sofrimento. Quanto de sofrimento ainda é necessário?
Eu tenho aceitado tudo até onde consigo. Tenho procurado manter minha cabeça e meu coração concentrados na luz, na alegria, na vida, no amor. Mas há momentos, especialmente nos últimos dias, em que estou mergulhada num cansaço infinito, em que só queria poder parar tudo, dormir uma semana seguida, mergulhada no mais profundo silêncio. Hoje, como Perséfone, retorno mais uma vez ao escuro reino de Hades, onde tudo é silêncio. Ela sufoca, e a falta de ar é quase palpável. É possível sentir fisicamente essa falta de ar, de tão densa. Minha mãe se agarra na cama amedrontada, mesmo sem consciência de quase nada agora. Meu pai fragilizado, meu irmão cada vez mais afastado dessa situação, e minha irmã enlouquecendo.
Ela precisa ir. Sou a única que permanece mais ou menos em pé. Sou a única que ainda consegue ficar sozinha com ela e segurar em sua mão. O quanto é importante e forte segurar na mão! O quanto é possível salvar uma pessoa segurando em sua mão...  Dia desses senti isso com clareza e com toda a força da minha alma...
Hoje eu vou pedir. Vou pedir a ela que não tenha medo de ir. Vou pedir ao Universo que a ajude a sentir-se segura pra ir. Vou pedir a qualquer presença amiga que esteja por perto que possa estender a mão pra ela, amorosamente, e ensiná-la a trilhar o caminho. Ela precisa ir. Eu sei que não sou eu que decido. Mas sei também que tudo já foi consumado. Que a vida é generosa. Que ela merece há muito tempo descansar, recuperar-se, perdoar a si mesma, dar fim ao inferno e estar em paz...
Deus me ilumine pra que eu consiga ajudá-la. Hoje. Esta noite. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Seja como for...


Tudo parece menos pesado depois de duas horas de sono...
Estou aprendendo todo dia, numa velocidade vertiginosa.
Quando estou com a minha mãe, eu fico durona e sou forte. Mergulho na dor, estou plenamente ali, emaranhada no reino da escuridão infinita. Dói tudo que tem pra doer, mas eu estou ali.
Mas a manhã chega, e volto pras outras coisas da minha vida. E vem a necessidade do viver intenso, de experimentar as alegrias com a mesma intensidade. E eu amo intensamente, e fico intensamente feliz, e dou risada com os amigos, cada instante importa.
E onde está a pessoa que fugiu das emoções uma vida inteira? Que dava um jeito de se ausentar de tudo o que parecesse perigoso, por achar que não dava conta?
Agora só existe um assim seja o presente. O presente multifacetado, ora dolorido de uma dor intensa e profunda, ora tão feliz que parece que só a felicidade existe e está em tudo. E eu estou nesse exato instante, em cada um dos exatos lugares por onde passo. Pela primeira vez na vida...
Seja como for, venha o que vier, que VENHA! Que venha a verdade em todos os sentidos.
Dois aprendizados importantes:
1- O que tem que ser, tem força própria. Vai superar os obstáculos pra acontecer. O que não tem que ser, nem toda a força do universo poderá mover. Não nos pertence o controle sobre a vida e a morte, nem sobre os sentimentos alheios.
2- Quando alguém vive de verdade, todos os outros também vivem. Porque o intenso desejo da vida é acontecer.
Gratidão profunda.
http://youtu.be/WOa9mFRTDq4

domingo, 22 de julho de 2012

Vida-Morte-Vida

O ciclo vida-morte-vida vai se acelerando num velocidade vertiginosa.
Não há tempo para parar, subir à tona pra respirar, não há tempo pra nada.
A vida dela tá se esvaindo na frente dos meus olhos. E eu sinto que chegou o momento. De ajudá-la a pular essa ponte. Ela está morrendo de medo. Não é fácil deixar pra trás tudo o que conhecemos, tudo o que nos é familiar, e se enxergar diante da possibilidade do desconhecido na mais profunda solidão.
De modos diferentes, eu e ela pulando na água gelada. O frio. A desproteção. A vulnerabilidade. Sem armas. Não temos escolha, as armas ficaram todas lá, onde as deixamos quando nos despimos. É assim, de peito aberto que eu e ela enfrentamos nossa história.
Que venha! Que venha a alegria, a tristeza, o amor, a dor... Que venha o que tiver que vir. Que venham as lições, os desafios, os aconchegos... Que venha tudo. Tudo o que for presente para mim agora. Eu receberei, e serei grata, por pura confiança. Confiança de que o que tem que ser tem força. Que tudo acontece pra o melhor, mesmo quando não conseguimos ver. Agora ela dorme e sorri. Acho que está rodeada de amigos queridos. Eu sei, tenho certeza que sou eu a ajudar a fazer essa passagem. Hoje ou por esses dias, só eu poderei ajudá-la com o medo... É o pedido da vida pra mim agora...

sábado, 21 de julho de 2012

Futuro do Pretérito

E nós poderíamos passear no parque numa tarde de domingo com sol. E eu poderia te olhar nos olhos e sentir que, sim, eu poderia mergulhar meu olhar neles encantada, por toda uma existência.
E você poderia tocar flauta pra mim, e eu poderia enxergar embevecida a beleza que você sempre quis mostrar e não teve quem prestasse atenção por tempo suficiente da forma certa.
E poderíamos preparar juntos cenas ou peças de teatro, e eu teria certeza que você seria um parceiro inteiro e presente sempre, porque é assim que você é.
E por vezes poderíamos andar juntos por aí, pelo simples prazer de andar, só pra podermos enquanto isso falar de qualquer coisa que nos viesse à cabeça... E poderíamos rir de histórias inventadas assim, ao imaginar as pessoas que passam.
E eu poderia te chamar pra minha casa numa noite de chuva, sem luz, para construirmos sombras na parede...
Puxa, eu consigo imaginar tantas alternativas! Todas possíveis agora, no presente, nesse presente pelo qual sou grata, que é o único instante que existe. Meu tempo é agora...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Pronto


Por mais que certos anjos iluminem nossa vida e nosso coração, há momentos em que estamos irremediavelmente solitários. Faz parte do mundo dos adultos. Por mais que as pessoas se acolham, se amem, há algo em nós de inalcançável. A mesma essência que nos faz únicos nos condena a isso.
Hoje eu saí do hospital e chorei, chorei, chorei... E de repente parecia que não haveriam lágrimas suficientes nunca mais. Chorei todas as mortes recentes da minha vida. Chorei os enterros que andei fazendo muito depois do que deveria. Chorei minha procrastinação, chorei minha piedade por ela e meu desespero, chorei o meu amor... Chorei tudo. Desejei desaparecer e deixei vir pra fora. As pessoas me olhavam na rua e provavelmente não entendiam nada. É a vida. É a vida, que é linda, mas tem momentos de dor. E talvez essa seja a diferença fundamental: eu escolher ser uma pessoa feliz com alguns momentos inevitáveis de dor, e não o contrário.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

E se...

E se um belo dia você olhasse nos olhos de um homem e enxergasse a beleza da infinitude?
E se não tivesse a menor importância a duração da coisa toda?
E se valesse a pena, ainda que fosse por um único instante, porque você levaria consigo esse instante por toda uma eternidade?

domingo, 15 de julho de 2012

O mito da caverna

Sobrevivo. Acostumada que começava a ficar com a escuridão, e de repente completamente entregue a uma imensidão de luz.
Eu não tinha ido buscar ou procurar nada. Só estava tentando sobreviver. Mas fiquei tão contente com a luz! Mesmo que durasse quase nada, ajudaria a passar o tempo da noite escura. Mas a luz passou, e então a escuridão ficou ainda mais escura, e o frio, o frio a gelar os ossos. Nunca antes eu senti tanto frio. Acho que é disso que as pessoas tem medo quando se acomodam e não se arriscam. Desse lugar, desse momento, de estar em total queda livre, sem nenhum tipo de proteção pra amenizar o baque de voltar ao chão. Seria mais seguro nunca ter saído? Sem dúvida, mas daí não seria eu.
Eu sabia que não era a hora. Eu sabia. Mas de repente o brilho da luz era tanto que eu achei que sim, que poderia ter tanta beleza naquela luz que valia a pena fazer a hora acontecer só para ser presenteada com aquilo. Eu teria feito acontecer, de todas as formas, fazendo todo o necessário para que todos os limites fossem superados. E eles seriam, um a um. E de repente...
E então, o vislumbre que tive de qualquer coisa que fosse bonita e boa no meio do furacão simplesmente deixou-se ir. Meu Deus, como doeu! E a dor me causou um cansaço imenso, um cansaço desesperado. Tem que deixar doer. Deixar doer até esgotar-se. Ainda que eu nem faça ideia do motivo pelo qual dói tanto.
A escuridão de antes, a mesma que tantas vezes era chamada de realidade, agora é insuportável. Porque a passagem de luz explicitou de maneira inegável a ausência de si mesma quando foi a hora.
Eu sei, eu sei que essa dor é necessária. Eu confio o suficiente na vida pra saber que aconteceu exatamente o que devia. Está tudo certo.
Desconstruir. Nada ficará de pé quando tudo isso terminar. E era preciso que o nada fosse real.
Eu tinha aceitado o que fosse. Desde cedo.
Por enquanto eu sei que tá frio demais pra que eu possa agradecer. Mas chegará o dia.
E até lá, estarei sobrevivendo, desconstruindo, reinventando.




sexta-feira, 13 de julho de 2012

Total período de mudança


Mudança de lugar, Estou tentando agilizar isso para o final da semana que vem. O inevitável não pode ser adiado por muito tempo. Eu já devia ter ido desde bem antes.
O fato é que houve uma mudança de planos. Eu ia me mudar pra um pequeno apartamento próximo, eu e João. Mas nesse momento meu pai precisa que alguém cuide dele. Tá esquecendo de comer, bem ele que já é tão magrinho. E se alguém pode alegrá-lo, bem agorinha, somos eu e João.
Na minha família tudo sempre foi “meio ao contrário”. Minha mãe sempre foi a figura de poder, autoridade, repressão, e meu pai sempre foi a suavidade e delicadeza em pessoa. Sempre foi ele quem me contou história e me colocou pra dormir. Ele criava músicas pra mim. Quando eu era criança ele fez com as próprias mãos uma cadeirinha de balanço pra mim. E aprendeu a fazer um caleidoscópio, só pra me dar de presente. Depois, quando fiz nove anos, ele me deu um porquinho-da-india, e ele mesmo fez a casinha de madeira do bichinho também. E o baú onde eu guardava minhas cartinhas secretas na adolescência? Fazer com maestria lindos objetos de madeira era uma das formas que ele tinha de expressar seu amor. Mas tudo nele era amor, sempre. A ele eu devo minha referência de amor incondicional. Com a minha mãe tudo era violento, e ele era sempre todo acolhida...
Agora ele está frágil, tão frágil quanto a minha mãe. E precisa de alguém que cuide dele. E eu, que de qualquer forma já ia pro meu lugar, vou voltar por um tempinho. Ajudar ele a lidar com a casa sem a minha mãe preenchendo cada cômodo. Ajudar a lidar com os vazios, ajudar a lidar consigo mesmo, ajudá-lo a construir uma vida sem a minha mãe, pelo menos por enquanto... Deixar João encher aquela casa de risadas, e de chamados ao vovô, e de brinquedinhos, e de cores novas. Meu pai adora o neto.
É isso. Hora de mudar. Hora de voltar um pouquinho e começar de novo, junto do meu pai, cuidando dele por um tempinho, como ele sempre fez tão carinhosamente comigo...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

E então, você surge do nada...

E inexplicavelmente eu não sinto medo nenhum.
Eu jamais diria que te reconheci, pois provavelmente você me acharia louca.
Mas então você veio com essa conversa sobre reconhecer, e eu quase morri.
É... Por mais que as coisas fiquem difíceis, por mais que conviver com a morte tão de perto me deixe derrubada, sempre tem alguma coisa boa pra acontecer.
E um dia, do nada, tinha um menino com o brilho do Sol na menina dos olhos, que me alimentou de luz e pelo qual eu me apaixonei. Assim, sem mais nem menos.
Sem avisar ele estava lá...
E me ocorre agora que a verdade é tão simples... Basta esperar. Ela estará de pé quando todo o resto cair.
Sem nomes, sem definições, sem compromisso, nem nada além de um sentimento bom que me arrebata pra voar um pouco.
E tudo fica tão cheio de luz de repente!

domingo, 1 de julho de 2012

Aprendizados de festa

Impressionante como podemos aprender coisas, sobre nós mesmos e sobre os outros, numa festa.
Fiquei encantada com a velocidade com que isso acontece.
Aprendi um pouco mais sobre muita coisa, e especialmente aprendi um bocado sobre como funciono.
Sim, é verdade que não sou possessiva.
Sim, é verdade que não sou ciumenta.
E, mesmo assim, é também verdade que eu jamais conseguiria ver a mim mesma como a segunda opção de alguém, depois que a primeira não deu certo...
Como eu fiquei feliz! De saber que eu escolho. Eu determino. E só pode ser possível no momento em que eu for A escolha.
E, se, não aproveitando essa chance, não houver outra?
OK!
Que leveza isso me dá! Saber que se tudo mudar a partir de agora tudo bem.
Saber que fiquei feliz por sentir-me livre para escolher o que EU quiser. Ou simplesmente não escolher coisa nenhuma. E tudo bem.
Por incrível que pareça, isso nunca foi assim. Parece óbvio, mas nunca foi assim. Porque antes, de alguma forma muito tosca, eu sentia como se eu não merecesse mais nada a não ser me transformar no plano B mesmo. Isso hoje me faz rir, e eu me pergunto por quê.
Mas, novidade a ser digerida: eu posso mais. Eu SOU mais que isso agora.
Lindo. Fui dormir feliz pensando nisso.