O ciclo vida-morte-vida vai se acelerando num velocidade vertiginosa.
Não há tempo para parar, subir à tona pra respirar, não há tempo pra nada.
A vida dela tá se esvaindo na frente dos meus olhos. E eu sinto que chegou o momento. De ajudá-la a pular essa ponte. Ela está morrendo de medo. Não é fácil deixar pra trás tudo o que conhecemos, tudo o que nos é familiar, e se enxergar diante da possibilidade do desconhecido na mais profunda solidão.
De modos diferentes, eu e ela pulando na água gelada. O frio. A desproteção. A vulnerabilidade. Sem armas. Não temos escolha, as armas ficaram todas lá, onde as deixamos quando nos despimos. É assim, de peito aberto que eu e ela enfrentamos nossa história.
Que venha! Que venha a alegria, a tristeza, o amor, a dor... Que venha o que tiver que vir. Que venham as lições, os desafios, os aconchegos... Que venha tudo. Tudo o que for presente para mim agora. Eu receberei, e serei grata, por pura confiança. Confiança de que o que tem que ser tem força. Que tudo acontece pra o melhor, mesmo quando não conseguimos ver. Agora ela dorme e sorri. Acho que está rodeada de amigos queridos. Eu sei, tenho certeza que sou eu a ajudar a fazer essa passagem. Hoje ou por esses dias, só eu poderei ajudá-la com o medo... É o pedido da vida pra mim agora...
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