domingo, 10 de março de 2013

Da capacidade de amar


Ontem foi o dia de chorar muito de novo. Mas por um motivo novo.
Eu fui ver a estréia de Shakespeare. E encontrei um amigo querido que estava atuando na peça.
Meu Deus, como ele cresceu! Eu estava lá no primeiro dia em que chegou, com seus fones de ouvido, se isolando em seu mundo particular enquanto os outros queriam se conhecer. E por muitas e muitas vezes ele fez isso, não por não querer conhecer as pessoas, mas simplesmente porque não sabia como fazer.
E ontem, ao vê-lo no palco agindo como soldado, como rei poderoso ou com a leveza de quem faz um momento de comédia, eu pensei: “Como ele cresceu! Como está lindo! Eu seria capaz de amá-lo!
E sim, quando pensei que seria capaz de amá-lo, eu imaginei seu rosto sorrindo, eu imaginei tantos momentos importantes e significativos que poderíamos viver... e me pareceu que poderia ser uma história tão bonita e tão feliz...
Não, ainda não. Eu não estaria livre nem inteira.
Mas pela primeira vez... eu vivenciei de fato essa sensação... De que eu não preciso ter medo de nunca mais conseguir amar. Porque a capacidade de amar tá aqui, estava adormecida, mas tá aqui. E ao realmente vivenciar isso com força, de alguma forma eu me devolvi pra mim mesma... 

sexta-feira, 8 de março de 2013

A despedida que faltava.


Talvez essa noite, nos meus sonhos, eu consiga te visitar. E talvez lá eu consiga te desejar felicidades pela novidade...
Por hora meu desejo é de gritar e gritar e gritar... 
Quando a gente se despede de um amor, não chora só pela pessoa que se foi. Chora também por quem NÓS fomos quando estávamos com aquela pessoa. Por todos os pequenos símbolos e linguagens compartilhadas, pela textura da mão que segurava a nossa, pelo café com Macadâmia que nunca mais terá o mesmo sabor do dia em que experimentamos. 
Nós choramos pela dança linda que só fazia sentido com dois, nós lamentamos todas as histórias que poderiam ter sido...
Mas haverá. A alquimia da dor pra alegria. Te prometo.
E como você sabe... eu sempre cumpro minhas promessas.
Por agora... Te dedico aquelas palavras que já são tão familiares pra você:
Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E hoje e para sempre
Deus te guarde na palma de sua mão.

sábado, 2 de março de 2013

Tudo novo de novo

Acredita em mim.
Eu acho que você ainda passa aqui de vez em quando.
E acho que de vez em quando lê o que eu escrevo.
Então acredita em mim, só dessa vez.
Não há mais tragédia em mim. Agora tem leveza.
Não tem mais desejo de ter razão, mas de ser feliz.
Queria ter a chance de te conhecer. Como se tivéssemos começado tudo agora.
Vem comigo?
Ainda podemos ser tão felizes... Mesmo que seja amizade, quem se importa agora com definições?


sexta-feira, 1 de março de 2013

Que lindo. Eu entendi.


“Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito! Cheio de sabor.” (Guimarães Rosa)

Vontade de dançar na chuva. Finalmente eu entendi.Sim, descobri onde morava a minha violência onde eu só via amor. Tentei manipular. Tentei controlar. Tentei enlouquecer.
Nada disso de propósito. Mas foi assim que aconteceu.
Eu quis ter razão. Quis escancarar minha coragem na cara de quem assumiu ter medo. E minha coragem não passava de desespero.
A precipitação... Eu estava tão certa que era amor, que não me entrava na cabeça que ele não reconhecesse imediatamente o amor como eu o via...

Hoje eu olho de longe e ainda acho que era amor. Mas eu irremediavelmente não estava pronta pra viver. 
E então ele veio e se foi. Porque era exatamente o que era pra ser, como tinha que ser. 
Uma sensação de profunda paz.