Ontem foi o dia de chorar muito de novo. Mas por um motivo
novo.
Eu fui ver a estréia de Shakespeare. E encontrei um amigo
querido que estava atuando na peça.
Meu Deus, como ele cresceu! Eu estava lá no primeiro dia em
que chegou, com seus fones de ouvido, se isolando em seu mundo particular
enquanto os outros queriam se conhecer. E por muitas e muitas vezes ele fez
isso, não por não querer conhecer as pessoas, mas simplesmente porque não sabia
como fazer.
E ontem, ao vê-lo no palco agindo como soldado, como rei
poderoso ou com a leveza de quem faz um momento de comédia, eu pensei: “Como
ele cresceu! Como está lindo! Eu seria capaz de amá-lo!
E sim, quando pensei que seria capaz de amá-lo, eu imaginei
seu rosto sorrindo, eu imaginei tantos momentos importantes e significativos
que poderíamos viver... e me pareceu que poderia ser uma história tão bonita e
tão feliz...
Não, ainda não. Eu não estaria livre nem inteira.
Mas pela primeira vez... eu vivenciei de fato essa sensação...
De que eu não preciso ter medo de nunca mais conseguir amar. Porque a
capacidade de amar tá aqui, estava adormecida, mas tá aqui. E ao realmente
vivenciar isso com força, de alguma forma eu me devolvi pra mim mesma...