sexta-feira, 1 de março de 2013

Que lindo. Eu entendi.


“Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito! Cheio de sabor.” (Guimarães Rosa)

Vontade de dançar na chuva. Finalmente eu entendi.Sim, descobri onde morava a minha violência onde eu só via amor. Tentei manipular. Tentei controlar. Tentei enlouquecer.
Nada disso de propósito. Mas foi assim que aconteceu.
Eu quis ter razão. Quis escancarar minha coragem na cara de quem assumiu ter medo. E minha coragem não passava de desespero.
A precipitação... Eu estava tão certa que era amor, que não me entrava na cabeça que ele não reconhecesse imediatamente o amor como eu o via...

Hoje eu olho de longe e ainda acho que era amor. Mas eu irremediavelmente não estava pronta pra viver. 
E então ele veio e se foi. Porque era exatamente o que era pra ser, como tinha que ser. 
Uma sensação de profunda paz. 

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