sábado, 27 de outubro de 2012

Tudo é silêncio

Não há dor.
Não há desespero. Não há o desejo, profundo e imenso de que tudo mude, de que de repente ainda exista uma história pra se viver.
Agora tudo é simplesmente silêncio. Silêncio e solidão.
Há um deserto imenso. Nada de árvores, nem água, nem pessoas ou animais. Nada.
Se eu gritasse, o grito ecoaria a quilômetros de distância por espaços inimagináveis.
Mas não há sentimento suficiente ou restante pro grito.
E caminhando em meio aos escombros, o silêncio se apossa da minha vida, da minha alma... Nada, só o profundo vazio que se estende para os lados em todas as direções.
Se alguém me procurar, digo que estou no banho até que desista.
Porque não, não é o momento que eu queira ver alguém.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais do mesmo. Ainda.


Não é que eu esteja sempre triste.
É que acabo vindo aqui quando tenho vontade de explodir.
Vontade que esse ano termine. Esse ano que trouxe mais novidades que todo o resto da minha vida. Tanta coisa pra lidar, que por dias só tenho vontade que tudo se transforme no mais absoluto silêncio. Que não existam pessoas, não existam compromissos, nem horários. Apenas qualquer lugar silencioso, quente, confortável, onde a gente possa simplesmente ser. Sem ter que fazer nada, mostrar nada, relacionar-se. Simplesmente ter a permissão de ser. De respirar com calma. De desfrutar da vida.
No meu coração, o deserto se faz presente. Não, não há ninguém. E quando escurece o frio me gela a alma. Eu tentei. Tentei ver outras pessoas. Tentei me dar oportunidades, afinal de contas não há nada a esperar no lugar onde eu fiquei parada. Mas não é assim que funciona. A gente não decide. O sentimento enxerga com olhos que a gente não vai entender nunca, e quando ele vê o que a gente não sabe o que é, sai correndo, desabalado. E a gente corre atrás dele, rezando pra que seja bom, ou pra que pelo menos não nos machuque tanto.
Sensibilidade à flor da pele. Daí memórias e dor que vem à tona. È a Lua. É o dia. Hoje é outro daqueles dias de enlouquecer. Sentimentos amplificados. Dou-me conta do motivo pelo qual certas coisas ainda me doem tanto. Alguns sentimentos tiveram sua ultima chance. Uma vez perdida, a inocência está perdida pra sempre. Histórias vividas podem ser relidas, podem ser vistas sob outros aspectos. Mas serão sempre as nossas histórias. Sua essência não muda. Cicatrizes poderão ser vistas, por mais sentido que se dê a elas, continuarão desenhando nosso corpo e nossa alma...
Quando olho pra dentro de mim, o velho amor permanece. Teimoso e firme. Ainda que eu não olhe pra ele, ele está lá, quietinho. Ainda que eu o mande embora inúmeras vezes, ele simplesmente continua ficando. Ficando como quem não quer nada. Ficando como quem ainda não aprendeu a ir embora. E então eu o abraço de novo, e digo a ele "pois que fique". Que fique o quanto quiser, o quanto aguentar, o quanto sobreviver. Não há nada que eu possa fazer, então fique... 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sério. Entendi



Sério. Eu entendi.
Entendi que por vezes nossa vida é sacudida por sentimentos intensos e maravilhosos, mas que a gente tem que conviver com o fato que isso não quer dizer nada.
E eu me sinto Ícaro, finalmente tendo asas e resolvendo visitar o Sol, até que as asas derretam e se despenque ao chão, despedaçando tudo pra sempre.
E então, que vida pode haver depois de ter experimentado tamanho esplendor de chegar perto do carro de Apolo que cruza o céu? E seu eu tivesse dez vidas, vinte vidas, eu queimaria todas tentando e tentando chegar o mais perto que eu pudesse até não restar nem mesmo meu ultimo suspiro.
Não faz mal. Mesmo se não for nada. Nunca. Eu voei tudo o que pude. Eu cheguei perto do Sol, eu queimei completamente as minhas asas, eu despenquei e morri. E estou inteira. Pronta pra estar viva, seja lá o que for que ainda me aguarda nessa vida. Esse ano foi tão miserável, mas sempre teve uma coisa boa pra acontecer no meio do caminho, mesmo quando parecia que nada nunca mais ia ser bom...
Não há sequer qualquer coisa pra esperar. Não tem nada pra acontecer. Somos assim.  E mesmo sendo uma pena pensar que a gente podia ser tanto, tanto mais... A vida é o que é. Nem mais, nem menos...  
Será que um dia penso em você sem sentir essa dor profunda a aguda que me acomete toda vez?