Sério. Eu entendi.
Entendi que por vezes nossa vida é sacudida por sentimentos
intensos e maravilhosos, mas que a gente tem que conviver com o fato que isso
não quer dizer nada.
E eu me sinto Ícaro, finalmente tendo asas e resolvendo
visitar o Sol, até que as asas derretam e se despenque ao chão, despedaçando
tudo pra sempre.
E então, que vida pode haver depois de ter experimentado
tamanho esplendor de chegar perto do carro de Apolo que cruza o céu? E seu eu
tivesse dez vidas, vinte vidas, eu queimaria todas tentando e tentando chegar o
mais perto que eu pudesse até não restar nem mesmo meu ultimo suspiro.
Não faz mal. Mesmo se não for nada. Nunca. Eu voei tudo o
que pude. Eu cheguei perto do Sol, eu queimei completamente as minhas asas, eu
despenquei e morri. E estou inteira. Pronta pra estar viva, seja lá o que for
que ainda me aguarda nessa vida. Esse ano foi tão miserável, mas sempre teve
uma coisa boa pra acontecer no meio do caminho, mesmo quando parecia que nada
nunca mais ia ser bom...
Não há sequer qualquer coisa pra esperar. Não tem nada pra
acontecer. Somos assim. E mesmo sendo
uma pena pensar que a gente podia ser tanto, tanto mais... A vida é o que é.
Nem mais, nem menos...
Será que um dia penso em você sem sentir essa dor profunda a
aguda que me acomete toda vez?

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