Quando eu
perguntei pra minha mãe se ela me amava, ela me respondeu:
- Claro, toda
mãe ama o seu filho.
Quando eu
perguntei para o ex-marido se ele me amava, ele me respondeu:
- Claro, senão
não estaria casado com você.
O que eles não
entenderam é que, se eu estava perguntando, é porque em algum momento, de
alguma forma, esse amor não estava tão claro assim. E que a resposta só me
deixava mais aflita, pois ilustrava a pouca importância que davam ao assunto. Um
assunto que, do meu ponto de vista, era quase um pré-requisito da minha
existência.
Não que a gente
deva amar esperando algo em troca. Mas se estamos numa relação que baseia-se
fundamentalmente nesse amor que a priori existe, então ele precisa existir,
caso contrário a relação não faz sentido.
Quando eu fazia
essas perguntas, e recebia essas respostas frustrantes, o que eu buscava na
verdade era uma declaração de amor. Era que me olhassem nos olhos, e me
dissessem que sim, eu te amo por causa do seu jeito de rir, por causa do seu
modo de olhar, por causa da maneira como você acorda de manhã, ou por causa da
sua mania de colocar seus óculos sempre no mesmo lugar na hora de dormir, pra
ter certeza de saber de manhã onde estão, enfim, por qualquer motivo que me
tornasse única no meio de tantos bilhões de pessoas do mundo... Eu sei lá.
Talvez eu sempre espere demais.
O que eu sei é que todo amor não se faz só de declarações. Mas de pequenos momentos como "ouvi essa música e lembrei de você" ou "quando aconteceu aquela coisa tão extraordinária comigo eu lamentei você não estar junto pra ver" ou ainda "eu sabia que você também estava com sede então trouxe água pra mim e pra você".
Esses momentos cúmplices, compartilhados, que fazem a gente pensar "que sorte eu tenho de dividir um tempo, um espaço e um sentimento com essa pessoa tão bonita". Quando isso não existe, quando as relações se esvaziam de momentos encantadores, (que não precisam ter nada de extraordinários), não vejo como não ir embora.
Nesse caso, faz mesmo sentido permanecer? Não sei.
Deixo pra pensar nisso quando eu estiver de novo nesse lugar. Porque por agora meu universo se enche de pequenas delicadezas encantadoras. Mesmo que nem tudo seja fácil.
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