Acordei num grande limbo cinzento. Que lugar é esse e como cheguei aqui?
O silêncio ensurdecedor. Somente o som dos meus próprios passos. E onde estavam todos?
Talvez não existisse mais ninguém. Talvez eu fosse a única sobrevivente mesmo. Mas do quê?
Procuro me lembrar de alguma referência, alguma memória, alguém com quem eu tenha convivido, uma casa pra onde voltar. A memória está vazia. E então existe o "quem sou eu": filha de alguém, amiga de alguém, esposa de alguém, mãe de alguém? E eu já não sabia.
Abri a boca para gritar, mas não havia ninguém por perto. Martelando por dentro um sentimento de "não adianta".
Onde estão? Onde estão todos?
Procuro olhar no chão, algum objeto, qualquer coisa que me de sinal que por ali, em algum momento, alguém já passou. Não há pegadas naquela areia. Sim, é areia... Talvez uma praia... Não, não parece haver nenhuma água por perto, é um deserto.
Penso que gostaria de ter um lápis, um pedaço de papel, uma garrafa. Eu escreveria um bilhete, dizendo ao próximo que passasse que eu estive ali. Na verdade, diria que um dia existi. Um dia existi e procurei alguém ou alguma coisa. e procurei muito, com toda a força da minha alma, até ficar cansada demais até pra procurar o que quer que fosse.
E então, quando eu já não me sentia capaz de dar mais nenhum passo, eu simplesmente deitei no chão e deixei-me ficar ali, de alguma forma ainda rezando pra que alguém ou alguma coisa pudesse me encontrar antes que eu desaparecesse.
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