Por fim. A partir de hoje sou legalmente divorciada.
É uma sensação meio doce, meio amarga.
Meio doce por saber que finalmente tenho uma vida de verdade, sem nenhuma sombra das verdades que não me servem mais. Por saber que há um ano atrás resolvi definitivamente viver minha própria vida, essa escolha foi minha, independente de qualquer outra questão.
Meio amargo porque separações, mesmo quando necessárias, são tristes. E mesmo que essa separação em especial já tivesse bem mais de um ano, assinar os papéis e finalizar tudo legalmente é uma espécie de sepultamento.
Agora é o final dos finais.
Agora é o dia seguinte.
Agora.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Eu sou.
Tenho 36 anos, e sou mãe de um lindo menininho de 04 anos.
Sou Pedagoga, e trabalho em sete lugares diferentes.
Duas vezes por semana tenho aulas de teatro, e eles ajudam
muito a manter minha sanidade. No teatro experimento personagens diversos que
me fazem ser com segurança aquilo que não me sinto capaz na vida real.
Moro com meu pai e meu filho, e cuido deles o máximo que
posso (mesmo que ultimamente meu pai, com 72 anos de idade, venha cuidando bem
mais de mim do que eu dele). Mas eu tento. Deixo meu filho o mínimo de tempo
possível longe de mim, e tomo muito cuidado com tudo o que digo ou faço pra
ele. Não ligo se ele não for obediente, mas desejo muito que ele consiga ser
feliz. O que implica em algumas situações não se ter imediatamente o que se
quer. Tenho limitações e procuro ter paciência com elas. Mas eu acolho suas
forças e seus momentos frágeis com a mesma ternura, torcendo pra que isso faça
diferença.
Até o ano passado eu era casada. Me separei. E a pergunta
não é por que me separei. A pergunta é porque me casei. A única resposta que
encontro é que eu queria construir uma família e ele estava disponível pra
isso. Porque de resto, não, eu não era apaixonada. E eu pensava que amava, mas
hoje não sei se era amor aquele sentimento de que eu sempre precisava
conquistar a afeição dele dando tudo o que ele queria em todos os sentidos, e
mesmo assim, eu me sentia sempre tão sozinha.
Ano passado minha mãe morreu, depois de um período de
sofrimento pra todo mundo. Morreu de câncer. Morreu como viveu: Botando defeito
em tudo o que eu fazia. Gritando pra mim que queria a minha irmã cada vez que
eu entrava pela porta do quarto. Ela conseguia gritar comigo mesmo quando já
não era capaz de emitir nenhum som.
Olhando pra trás, poucas vezes eu tive colo na vida. Minhas
fragilidades sempre foram recebidas com pancada pra largar de frescura. E tive
que crescer, e crescer, e crescer. Pra não precisar mais de nenhum colo. Isso
nunca funcionou, mas me permitia sobreviver.
Estou com quase 100 quilos. E cada vez que tento reduzir,
entro em pânico. Porque a obesidade mórbida me protege das pessoas. Me faz
sentir mais segura. Ninguém me considera
como ameaça pra roubar o namorado alheio, por exemplo. Aliás, pouca gente me considera uma mulher,
boa parte dos que me conhecem me consideram um ursinho panda...
Sou tímida porque o olhar do outro me incomoda
tremendamente. Vivo o grande paradoxo de querer desesperadamente ser vista e
amada, e não suportar o olhar do outro. Por isso o teatro é tão importante. Me
mostra e me esconde ao mesmo tempo.
Emagrecer é fácil, mas quando eu elimino três quilos e alguém diz que já
dá pra perceber, o terror me domina, e junto com ele o impulso inevitável e
irresistível de comer chocolate sem parar pra me cobrir.
Não importa o que eu faça, eu sempre sinto que estou fazendo
tudo errado, ou que qualquer esforço não é suficiente. E me sinto o tempo todo equilibrando todos os
meus compromissos como quem vai enchendo e soltando bexigas, e elas precisam
ser mantidas no ar, todas ao mesmo tempo. São os prazos dos meus trabalhos. É o
teatro. É a família. São as contas. São as outras pessoas que precisam de
atenção. Tem minha casa pra colocar em ordem. Alguém ou alguma coisa sempre
fica deficiente. Um dia estouro um prazo importante, mas daí no próximo tento
terminar bem antes e com mais qualidade pra compensar. Daí pra fazer isso eu
falto no teatro, e daí na semana seguinte tento participar com toda a minha
alma. Mas daí meu filho acaba ficando quase a semana inteira na casa do pai. E
daí eu pego ele e tento passar mais tempo com ele, e acabo estorando prazo de
trabalho de novo. Simplesmente porque não há nada que nesse momento eu possa
deixar para depois. Tudo que existe em
mim é tão necessário agora para que eu possa me construir e me entender...
E, como se não fosse o bastante... Acabo de entrar num grupo
de estudo de psicanálise.
domingo, 10 de março de 2013
Da capacidade de amar
Ontem foi o dia de chorar muito de novo. Mas por um motivo
novo.
Eu fui ver a estréia de Shakespeare. E encontrei um amigo
querido que estava atuando na peça.
Meu Deus, como ele cresceu! Eu estava lá no primeiro dia em
que chegou, com seus fones de ouvido, se isolando em seu mundo particular
enquanto os outros queriam se conhecer. E por muitas e muitas vezes ele fez
isso, não por não querer conhecer as pessoas, mas simplesmente porque não sabia
como fazer.
E ontem, ao vê-lo no palco agindo como soldado, como rei
poderoso ou com a leveza de quem faz um momento de comédia, eu pensei: “Como
ele cresceu! Como está lindo! Eu seria capaz de amá-lo!
E sim, quando pensei que seria capaz de amá-lo, eu imaginei
seu rosto sorrindo, eu imaginei tantos momentos importantes e significativos
que poderíamos viver... e me pareceu que poderia ser uma história tão bonita e
tão feliz...
Não, ainda não. Eu não estaria livre nem inteira.
Mas pela primeira vez... eu vivenciei de fato essa sensação...
De que eu não preciso ter medo de nunca mais conseguir amar. Porque a
capacidade de amar tá aqui, estava adormecida, mas tá aqui. E ao realmente
vivenciar isso com força, de alguma forma eu me devolvi pra mim mesma...
sexta-feira, 8 de março de 2013
A despedida que faltava.
Talvez essa noite, nos meus sonhos, eu consiga te visitar. E talvez lá eu consiga te desejar felicidades pela novidade...
Por hora meu desejo é de gritar e gritar e gritar...
Quando a gente se despede de um amor, não chora só pela pessoa que se foi. Chora também por quem NÓS fomos quando estávamos com aquela pessoa. Por todos os pequenos símbolos e linguagens compartilhadas, pela textura da mão que segurava a nossa, pelo café com Macadâmia que nunca mais terá o mesmo sabor do dia em que experimentamos.
Nós choramos pela dança linda que só fazia sentido com dois, nós lamentamos todas as histórias que poderiam ter sido...
Mas haverá. A alquimia da dor pra alegria. Te prometo.
E como você sabe... eu sempre cumpro minhas promessas.
Por agora... Te dedico aquelas palavras que já são tão familiares pra você:
Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros.
o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E hoje e para sempre
Deus te guarde na palma de sua mão.
Deus te guarde na palma de sua mão.
sábado, 2 de março de 2013
Tudo novo de novo
Acredita em mim.
Eu acho que você ainda passa aqui de vez em quando.
E acho que de vez em quando lê o que eu escrevo.
Então acredita em mim, só dessa vez.
Não há mais tragédia em mim. Agora tem leveza.
Não tem mais desejo de ter razão, mas de ser feliz.
Queria ter a chance de te conhecer. Como se tivéssemos começado tudo agora.
Vem comigo?
Ainda podemos ser tão felizes... Mesmo que seja amizade, quem se importa agora com definições?
Eu acho que você ainda passa aqui de vez em quando.
E acho que de vez em quando lê o que eu escrevo.
Então acredita em mim, só dessa vez.
Não há mais tragédia em mim. Agora tem leveza.
Não tem mais desejo de ter razão, mas de ser feliz.
Queria ter a chance de te conhecer. Como se tivéssemos começado tudo agora.
Vem comigo?
Ainda podemos ser tão felizes... Mesmo que seja amizade, quem se importa agora com definições?
sexta-feira, 1 de março de 2013
Que lindo. Eu entendi.
“Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito! Cheio de sabor.” (Guimarães Rosa)
Vontade de dançar na chuva. Finalmente eu entendi.Sim, descobri onde morava a minha violência onde eu só via amor. Tentei manipular. Tentei controlar. Tentei enlouquecer.Nada disso de propósito. Mas foi assim que aconteceu.
Eu quis ter razão. Quis escancarar minha coragem na cara de quem assumiu ter medo. E minha coragem não passava de desespero.
A precipitação... Eu estava tão certa que era amor, que não me entrava na cabeça que ele não reconhecesse imediatamente o amor como eu o via...
Hoje eu olho de longe e ainda acho que era amor. Mas eu irremediavelmente não estava pronta pra viver.
E então ele veio e se foi. Porque era exatamente o que era pra ser, como tinha que ser.
Uma sensação de profunda paz.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
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