domingo, 29 de abril de 2012

Resgatando algumas pecinhas

O que ficou? O que já foi de mim?

Agora vou começar a juntar os pedaços pra tentar entender o sentido deles. Quantas vidas eu já vivi nessa mesma? Quantas coisas entendi, e quantas ainda mudarei milhões de vezes de idéia?
O sonho da minha vida é viver de escrever. Mas ainda não escrevo bem o suficiente, me falta confiança e experiência. Mas me vejo sim, velhinha, agradavelmente sozinha numa cabana na beira da praia, escrevendo e fazendo as pessoas sonharem através das minhas histórias, que vão sempre provocá-las pra amar mais, e amar de verdade.
Porque foi que eu achei que tinha vocação religiosa? De vez em quando eu me pergunto isso. Acho que porque sempre soube que jamais seria capaz de amar somente uma, ou somente duas, ou uma quantidade limitada de pessoas. Sempre chegaria uma terceira, ou quarta pessoa pela qual eu me apaixonaria, e eu jamais poderia ficar presa, achando que não posso amar. Achei que isso era coisa de vagabunda, ou então eu tinha que encontrar um sentido espiritual na coisa toda, sublimando o que fosse fisico para que pudesse amar intensamente desse jeito maluco sem magoar alguém que se iludiria pensando ter posse sobre mim. Não me parece sensato fazer esse tipo de promessa: Amo somente essa pessoa e a a amarei por todos os dias da minha vida. (Porque quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo...)
Eu acredito em Deus, mas eu acho que ele não é masculino nem feminino, (mas se fosse pra ser alguma coisa seria feminino) e eu acho também que ele não tá nem aí se acreditamos ou não nele, se seguimos ou não rituais desta ou daquela religião... O que importa é o quanto amamos, e o quanto conseguimos construir nossa felicidade através do nosso amor. O amor de verdade purifica qualquer coisa, justifica qualquer coisa, faz a gente ficar maior. E talvez o maior pecado seja tentar controlar, limitar, reduzir o amor, torná-lo pequeno para que possamos entendê-lo com nossa pequena consciência... Todo o resto é permitido.
Eu pensava sempre, e ainda penso, que todo mundo é tão carente que basta um gesto de consideração e carinho pras pessoas gostarem da gente, sentirem-se acolhidas. E eu tenho tudo pra aprender ainda, mas sei olhar pras pessoas. Olhar desse jeito, tentando entender o que elas sentem, sem julgamento. Já conheci números que passaram a vida sendo números, que lidavam bem com isso. Mas já experimentei a alegria que eles experimentam ao perceber que são muito mais que números, que podem ampliar-se. Acho que por isso fui ser Pedagoga. É lindo perceber o desconstrução de um número, o instante exato em que ele entende que ser comum é muito pouco quando somos todos feitos pro extraordinário.
Eu achei que tinha que ser religiosa por causa de um filme. Esse filme. Que até hoje me emociona quando assisto, porque o olhar de amor dos atores é uma coisa que realmente convence.

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