E nós poderíamos passear no parque numa tarde de domingo com sol. E eu poderia te olhar nos olhos e sentir que, sim, eu poderia mergulhar meu olhar neles encantada, por toda uma existência.
E você poderia tocar flauta pra mim, e eu poderia enxergar embevecida a beleza que você sempre quis mostrar e não teve quem prestasse atenção por tempo suficiente da forma certa.
E poderíamos preparar juntos cenas ou peças de teatro, e eu teria certeza que você seria um parceiro inteiro e presente sempre, porque é assim que você é.
E por vezes poderíamos andar juntos por aí, pelo simples prazer de andar, só pra podermos enquanto isso falar de qualquer coisa que nos viesse à cabeça... E poderíamos rir de histórias inventadas assim, ao imaginar as pessoas que passam.
E eu poderia te chamar pra minha casa numa noite de chuva, sem luz, para construirmos sombras na parede...
Puxa, eu consigo imaginar tantas alternativas! Todas possíveis agora, no presente, nesse presente pelo qual sou grata, que é o único instante que existe. Meu tempo é agora...
sábado, 21 de julho de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
Pronto
Por mais que certos anjos
iluminem nossa vida e nosso coração, há momentos em que estamos
irremediavelmente solitários. Faz parte do mundo dos adultos. Por mais que as
pessoas se acolham, se amem, há algo em nós de inalcançável. A mesma essência
que nos faz únicos nos condena a isso.
Hoje eu saí do hospital e chorei,
chorei, chorei... E de repente parecia que não haveriam lágrimas suficientes
nunca mais. Chorei todas as mortes recentes da minha vida. Chorei os enterros
que andei fazendo muito depois do que deveria. Chorei minha procrastinação,
chorei minha piedade por ela e meu desespero, chorei o meu amor... Chorei tudo.
Desejei desaparecer e deixei vir pra fora. As pessoas me olhavam na rua e
provavelmente não entendiam nada. É a vida. É a vida, que é linda, mas tem
momentos de dor. E talvez essa seja a diferença fundamental: eu escolher ser
uma pessoa feliz com alguns momentos inevitáveis de dor, e não o contrário.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
E se...
E se um belo dia você olhasse nos olhos de um homem e enxergasse a beleza da infinitude?
E se não tivesse a menor importância a duração da coisa toda?
E se valesse a pena, ainda que fosse por um único instante, porque você levaria consigo esse instante por toda uma eternidade?
E se não tivesse a menor importância a duração da coisa toda?
E se valesse a pena, ainda que fosse por um único instante, porque você levaria consigo esse instante por toda uma eternidade?
domingo, 15 de julho de 2012
O mito da caverna
Sobrevivo. Acostumada que começava a ficar com a escuridão, e de repente completamente entregue a uma imensidão de luz.
Eu não tinha ido buscar ou procurar nada. Só estava tentando sobreviver. Mas fiquei tão contente com a luz! Mesmo que durasse quase nada, ajudaria a passar o tempo da noite escura. Mas a luz passou, e então a escuridão ficou ainda mais escura, e o frio, o frio a gelar os ossos. Nunca antes eu senti tanto frio. Acho que é disso que as pessoas tem medo quando se acomodam e não se arriscam. Desse lugar, desse momento, de estar em total queda livre, sem nenhum tipo de proteção pra amenizar o baque de voltar ao chão. Seria mais seguro nunca ter saído? Sem dúvida, mas daí não seria eu.
Eu sabia que não era a hora. Eu sabia. Mas de repente o brilho da luz era tanto que eu achei que sim, que poderia ter tanta beleza naquela luz que valia a pena fazer a hora acontecer só para ser presenteada com aquilo. Eu teria feito acontecer, de todas as formas, fazendo todo o necessário para que todos os limites fossem superados. E eles seriam, um a um. E de repente...
E então, o vislumbre que tive de qualquer coisa que fosse bonita e boa no meio do furacão simplesmente deixou-se ir. Meu Deus, como doeu! E a dor me causou um cansaço imenso, um cansaço desesperado. Tem que deixar doer. Deixar doer até esgotar-se. Ainda que eu nem faça ideia do motivo pelo qual dói tanto.
A escuridão de antes, a mesma que tantas vezes era chamada de realidade, agora é insuportável. Porque a passagem de luz explicitou de maneira inegável a ausência de si mesma quando foi a hora.
Eu sei, eu sei que essa dor é necessária. Eu confio o suficiente na vida pra saber que aconteceu exatamente o que devia. Está tudo certo.
Desconstruir. Nada ficará de pé quando tudo isso terminar. E era preciso que o nada fosse real.
Eu tinha aceitado o que fosse. Desde cedo.
Por enquanto eu sei que tá frio demais pra que eu possa agradecer. Mas chegará o dia.
E até lá, estarei sobrevivendo, desconstruindo, reinventando.
Eu não tinha ido buscar ou procurar nada. Só estava tentando sobreviver. Mas fiquei tão contente com a luz! Mesmo que durasse quase nada, ajudaria a passar o tempo da noite escura. Mas a luz passou, e então a escuridão ficou ainda mais escura, e o frio, o frio a gelar os ossos. Nunca antes eu senti tanto frio. Acho que é disso que as pessoas tem medo quando se acomodam e não se arriscam. Desse lugar, desse momento, de estar em total queda livre, sem nenhum tipo de proteção pra amenizar o baque de voltar ao chão. Seria mais seguro nunca ter saído? Sem dúvida, mas daí não seria eu.
Eu sabia que não era a hora. Eu sabia. Mas de repente o brilho da luz era tanto que eu achei que sim, que poderia ter tanta beleza naquela luz que valia a pena fazer a hora acontecer só para ser presenteada com aquilo. Eu teria feito acontecer, de todas as formas, fazendo todo o necessário para que todos os limites fossem superados. E eles seriam, um a um. E de repente...
E então, o vislumbre que tive de qualquer coisa que fosse bonita e boa no meio do furacão simplesmente deixou-se ir. Meu Deus, como doeu! E a dor me causou um cansaço imenso, um cansaço desesperado. Tem que deixar doer. Deixar doer até esgotar-se. Ainda que eu nem faça ideia do motivo pelo qual dói tanto.
A escuridão de antes, a mesma que tantas vezes era chamada de realidade, agora é insuportável. Porque a passagem de luz explicitou de maneira inegável a ausência de si mesma quando foi a hora.
Eu sei, eu sei que essa dor é necessária. Eu confio o suficiente na vida pra saber que aconteceu exatamente o que devia. Está tudo certo.
Desconstruir. Nada ficará de pé quando tudo isso terminar. E era preciso que o nada fosse real.
Eu tinha aceitado o que fosse. Desde cedo.
Por enquanto eu sei que tá frio demais pra que eu possa agradecer. Mas chegará o dia.
E até lá, estarei sobrevivendo, desconstruindo, reinventando.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Total período de mudança
Mudança de lugar, Estou tentando agilizar isso para o final
da semana que vem. O inevitável não pode ser adiado por muito tempo. Eu já
devia ter ido desde bem antes.
O fato é que houve uma mudança de planos. Eu ia me mudar pra
um pequeno apartamento próximo, eu e João. Mas nesse momento meu pai precisa
que alguém cuide dele. Tá esquecendo de comer, bem ele que já é tão magrinho. E
se alguém pode alegrá-lo, bem agorinha, somos eu e João.
Na minha família tudo sempre foi “meio ao contrário”. Minha
mãe sempre foi a figura de poder, autoridade, repressão, e meu pai sempre foi a
suavidade e delicadeza em pessoa. Sempre foi ele quem me contou história e me
colocou pra dormir. Ele criava músicas pra mim. Quando eu era criança ele fez
com as próprias mãos uma cadeirinha de balanço pra mim. E aprendeu a fazer um
caleidoscópio, só pra me dar de presente. Depois, quando fiz nove anos, ele me
deu um porquinho-da-india, e ele mesmo fez a casinha de madeira do bichinho
também. E o baú onde eu guardava minhas cartinhas secretas na adolescência? Fazer
com maestria lindos objetos de madeira era uma das formas que ele tinha de
expressar seu amor. Mas tudo nele era amor, sempre. A ele eu devo minha referência
de amor incondicional. Com a minha mãe tudo era violento, e ele era sempre todo
acolhida...
Agora ele está frágil, tão frágil quanto a minha mãe. E
precisa de alguém que cuide dele. E eu, que de qualquer forma já ia pro meu
lugar, vou voltar por um tempinho. Ajudar ele a lidar com a casa sem a minha
mãe preenchendo cada cômodo. Ajudar a lidar com os vazios, ajudar a lidar
consigo mesmo, ajudá-lo a construir uma vida sem a minha mãe, pelo menos por
enquanto... Deixar João encher aquela casa de risadas, e de chamados ao vovô, e
de brinquedinhos, e de cores novas. Meu pai adora o neto.
É isso. Hora de mudar. Hora de voltar um pouquinho e começar
de novo, junto do meu pai, cuidando dele por um tempinho, como ele sempre fez
tão carinhosamente comigo...
quinta-feira, 12 de julho de 2012
E então, você surge do nada...
E inexplicavelmente eu não sinto medo nenhum.
Eu jamais diria que te reconheci, pois provavelmente você me acharia louca.
Mas então você veio com essa conversa sobre reconhecer, e eu quase morri.
É... Por mais que as coisas fiquem difíceis, por mais que conviver com a morte tão de perto me deixe derrubada, sempre tem alguma coisa boa pra acontecer.
E um dia, do nada, tinha um menino com o brilho do Sol na menina dos olhos, que me alimentou de luz e pelo qual eu me apaixonei. Assim, sem mais nem menos.
Sem avisar ele estava lá...
E me ocorre agora que a verdade é tão simples... Basta esperar. Ela estará de pé quando todo o resto cair.
Sem nomes, sem definições, sem compromisso, nem nada além de um sentimento bom que me arrebata pra voar um pouco.
E tudo fica tão cheio de luz de repente!
Eu jamais diria que te reconheci, pois provavelmente você me acharia louca.
Mas então você veio com essa conversa sobre reconhecer, e eu quase morri.
É... Por mais que as coisas fiquem difíceis, por mais que conviver com a morte tão de perto me deixe derrubada, sempre tem alguma coisa boa pra acontecer.
E um dia, do nada, tinha um menino com o brilho do Sol na menina dos olhos, que me alimentou de luz e pelo qual eu me apaixonei. Assim, sem mais nem menos.
Sem avisar ele estava lá...
E me ocorre agora que a verdade é tão simples... Basta esperar. Ela estará de pé quando todo o resto cair.
Sem nomes, sem definições, sem compromisso, nem nada além de um sentimento bom que me arrebata pra voar um pouco.
E tudo fica tão cheio de luz de repente!
domingo, 1 de julho de 2012
Aprendizados de festa
Impressionante como podemos aprender coisas, sobre nós mesmos e sobre os outros, numa festa.
Fiquei encantada com a velocidade com que isso acontece.
Aprendi um pouco mais sobre muita coisa, e especialmente aprendi um bocado sobre como funciono.
Sim, é verdade que não sou possessiva.
Sim, é verdade que não sou ciumenta.
E, mesmo assim, é também verdade que eu jamais conseguiria ver a mim mesma como a segunda opção de alguém, depois que a primeira não deu certo...
Como eu fiquei feliz! De saber que eu escolho. Eu determino. E só pode ser possível no momento em que eu for A escolha.
E, se, não aproveitando essa chance, não houver outra?
OK!
Que leveza isso me dá! Saber que se tudo mudar a partir de agora tudo bem.
Saber que fiquei feliz por sentir-me livre para escolher o que EU quiser. Ou simplesmente não escolher coisa nenhuma. E tudo bem.
Por incrível que pareça, isso nunca foi assim. Parece óbvio, mas nunca foi assim. Porque antes, de alguma forma muito tosca, eu sentia como se eu não merecesse mais nada a não ser me transformar no plano B mesmo. Isso hoje me faz rir, e eu me pergunto por quê.
Mas, novidade a ser digerida: eu posso mais. Eu SOU mais que isso agora.
Lindo. Fui dormir feliz pensando nisso.
Fiquei encantada com a velocidade com que isso acontece.
Aprendi um pouco mais sobre muita coisa, e especialmente aprendi um bocado sobre como funciono.
Sim, é verdade que não sou possessiva.
Sim, é verdade que não sou ciumenta.
E, mesmo assim, é também verdade que eu jamais conseguiria ver a mim mesma como a segunda opção de alguém, depois que a primeira não deu certo...
Como eu fiquei feliz! De saber que eu escolho. Eu determino. E só pode ser possível no momento em que eu for A escolha.
E, se, não aproveitando essa chance, não houver outra?
OK!
Que leveza isso me dá! Saber que se tudo mudar a partir de agora tudo bem.
Saber que fiquei feliz por sentir-me livre para escolher o que EU quiser. Ou simplesmente não escolher coisa nenhuma. E tudo bem.
Por incrível que pareça, isso nunca foi assim. Parece óbvio, mas nunca foi assim. Porque antes, de alguma forma muito tosca, eu sentia como se eu não merecesse mais nada a não ser me transformar no plano B mesmo. Isso hoje me faz rir, e eu me pergunto por quê.
Mas, novidade a ser digerida: eu posso mais. Eu SOU mais que isso agora.
Lindo. Fui dormir feliz pensando nisso.
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