Essa mensagem é pra você que tá chegando agora porque eu convidei.
Entre. Desculpe a bagunça. Está tudo bem empoeirado aqui.
Quando eu te disse que tinha um blog, mas fazia tempo que eu não escrevia nele... Acabei voltando pra reler algumas coisas.
E fiquei feliz, sabe? Bem feliz.
Porque encontrei aqui um sentimento de inadequação, aquela coisa de "sempre tenho a impressão de que faço tudo errado"... Anos de história, pra hoje de manhã eu te dizer que "tudo o que vivi me trouxe aqui e por causa disso sou perfeita".
Lembrei de todas as vezes que eu tentei me adequar ao que eu achava que era bom, bonito, padrão... Lembrei de todas as vezes em que me recriminei por não ser perfeita...
E hoje eu enxergo perfeição em mim, em você, em algumas pessoas que nos rodeiam e você sabe quem são... E isso me dá um sentimento de aconchego tão grande!
Uma sensação de que, haja o que houver, eu me pertenço. Eu estou em mim, no agora. Não há nenhuma história passada que eu troque pelo dia de hoje. O meu hoje é o lugar mais extraordinário que já estive.
Nem sempre é tudo comercial-de-margarina. Nem sempre é fácil. Mas é tudo de verdade, tão de verdade como nunca tinha sido antes. Sou capaz de dar risada, chorar, gritar, dizer não... E ver-me com direito ao não e ao sim. E ter liberdade suficiente pra falar sobre o quanto você é linda. Não porque quero qualquer coisa, mas porque eu posso dizer. Porque não acho que a gente precise esconder quando vê beleza no outro, aquela beleza que vem de dentro e vem de fora, e encanta, apenas. Por quê raios deveria ser proibido de dizer?
E verdade que a maioria das pessoas foge quando se sente gostado. Porque a gente é educado pra ser desejado como se fosse bife no açougue, e quando chega alguém que olha pra gente, pra gente mesmo, pro que a gente é de verdade, alguém que não vai se contentar só por um momento, dá um medo doido. Pelo menos em mim deu quando eu fui olhada assim.
Mas nada é pra já, sabe?
A vida acontece acelerada, mas o melhor dela acontece quando é saboreada. Quando a gente passa tempo. É o tempo que você tem com a sua rosa que faz ela ser diferente de todas as outras... Tempo pra perceber os detalhes, tempo pra reconhecer os gestos, tempo pra estar junto de verdade, antes, bem antes de qualquer outra coisa. Tempo pra ver o que surge, tempo pra aceitar o que for (o sentimento pode ter infinitas formas)...
Ah! Isso não é nada ainda. É só um instante. Bonito. Mas um instante.
Vai ficando, Tem mais.
Você tem um mundo pra me apresentar, e eu quero conhecer. Eu tenho um mundo pra te apresentar também. No tempo certo. Pode valer a pena. Seja o que for.
terça-feira, 3 de março de 2015
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Futuro do Pretérito
E essa é minha ultima história de futuro de pretérito.
Depois dessa, só o presente me interessa.
Porque eu te olhei com amor. Eu ouvi você falar de tudo o que queria, de tudo o que esperava. E foi impossível não pensar que eu te daria tudo isso e muito mais. Todo o amor, toda a atenção que você merece. Eu não te esconderia. Eu teria orgulho de você. Eu teria orgulho de passar meus momentos com alguém com a tua delicadeza, com a tua inteligência, com o teu caráter.
É sempre difícil quando chega esse momento em que não tem mais pra onde ir. Onde tudo o que tinha pra ser dito já foi dito. Onde não há mais nenhum sim, ou nenhum não, que pudesse mudar o resultado. Onde a gente percebe que os caminhos da vida são rebeldes.
Eu te quero feliz.
Dessa vez eu paro bem antes. Não vou tão longe quanto da ultima. Porque a ultima me despedaçou, e nem sei se eu já tinha de volta todas as partes que ficaram pelo caminho.
Ser livre. E acreditar na força da vida. E acreditar que, ainda que a gente não veja nada adiante, a vida sabe pra onde está nos conduzindo. Porque eu acredito que nenhum amor é em vão. Se ele pode ser sentido, existe alguma razão. Ainda que a gente não saiba.
Depois dessa, só o presente me interessa.
Porque eu te olhei com amor. Eu ouvi você falar de tudo o que queria, de tudo o que esperava. E foi impossível não pensar que eu te daria tudo isso e muito mais. Todo o amor, toda a atenção que você merece. Eu não te esconderia. Eu teria orgulho de você. Eu teria orgulho de passar meus momentos com alguém com a tua delicadeza, com a tua inteligência, com o teu caráter.
É sempre difícil quando chega esse momento em que não tem mais pra onde ir. Onde tudo o que tinha pra ser dito já foi dito. Onde não há mais nenhum sim, ou nenhum não, que pudesse mudar o resultado. Onde a gente percebe que os caminhos da vida são rebeldes.
Eu te quero feliz.
Dessa vez eu paro bem antes. Não vou tão longe quanto da ultima. Porque a ultima me despedaçou, e nem sei se eu já tinha de volta todas as partes que ficaram pelo caminho.
Ser livre. E acreditar na força da vida. E acreditar que, ainda que a gente não veja nada adiante, a vida sabe pra onde está nos conduzindo. Porque eu acredito que nenhum amor é em vão. Se ele pode ser sentido, existe alguma razão. Ainda que a gente não saiba.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
O amor do dia-a-dia
Quando eu
perguntei pra minha mãe se ela me amava, ela me respondeu:
- Claro, toda
mãe ama o seu filho.
Quando eu
perguntei para o ex-marido se ele me amava, ele me respondeu:
- Claro, senão
não estaria casado com você.
O que eles não
entenderam é que, se eu estava perguntando, é porque em algum momento, de
alguma forma, esse amor não estava tão claro assim. E que a resposta só me
deixava mais aflita, pois ilustrava a pouca importância que davam ao assunto. Um
assunto que, do meu ponto de vista, era quase um pré-requisito da minha
existência.
Não que a gente
deva amar esperando algo em troca. Mas se estamos numa relação que baseia-se
fundamentalmente nesse amor que a priori existe, então ele precisa existir,
caso contrário a relação não faz sentido.
Quando eu fazia
essas perguntas, e recebia essas respostas frustrantes, o que eu buscava na
verdade era uma declaração de amor. Era que me olhassem nos olhos, e me
dissessem que sim, eu te amo por causa do seu jeito de rir, por causa do seu
modo de olhar, por causa da maneira como você acorda de manhã, ou por causa da
sua mania de colocar seus óculos sempre no mesmo lugar na hora de dormir, pra
ter certeza de saber de manhã onde estão, enfim, por qualquer motivo que me
tornasse única no meio de tantos bilhões de pessoas do mundo... Eu sei lá.
Talvez eu sempre espere demais.
O que eu sei é que todo amor não se faz só de declarações. Mas de pequenos momentos como "ouvi essa música e lembrei de você" ou "quando aconteceu aquela coisa tão extraordinária comigo eu lamentei você não estar junto pra ver" ou ainda "eu sabia que você também estava com sede então trouxe água pra mim e pra você".
Esses momentos cúmplices, compartilhados, que fazem a gente pensar "que sorte eu tenho de dividir um tempo, um espaço e um sentimento com essa pessoa tão bonita". Quando isso não existe, quando as relações se esvaziam de momentos encantadores, (que não precisam ter nada de extraordinários), não vejo como não ir embora.
Nesse caso, faz mesmo sentido permanecer? Não sei.
Deixo pra pensar nisso quando eu estiver de novo nesse lugar. Porque por agora meu universo se enche de pequenas delicadezas encantadoras. Mesmo que nem tudo seja fácil.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Só sei que tem que continuar.
Eu estava prestes a entrar em
cena. E meu personagem era um homem chamado Johnny (escrito assim mesmo, porque
me lembro de ter lido no texto da peça). Alguns dos meus amigos estreavam a
peça comigo. Meu personagem homem Johnny tinha um andar gingado e era meio
bandido. E isso era a única coisa que eu me lembrava sobre ele. O resto eu
tinha esquecido. E a cortina já ia abrir e eu percebi que tinha tido um branco.
Não me lembrava sequer da história contada na peça. Nem do nome da peça. Nem de
nenhuma das minhas falas ou de qualquer fala dos demais colegas de palco.
Entrando no palco, tinha um
menininho perdido. No meio do palco. Ele não fazia parte do elenco, só estava
ali. E ele olhou pra mim, deu um lindo sorriso e disse: “Você é bonita”. Eu
respondi: “Obrigada”, mas pensei que aquilo estragava mais ainda meu
personagem, que afinal era homem, porra. Olhei ao redor me perguntando se nenhum colega
de fora de cena poderia tirar aquela criança dali pra gente continuar o
espetáculo e fui sentar numa espécie de arquibancada que havia no cenário (na
primeira cena estávamos assistindo a um jogo de futebol), enquanto meus colegas
iniciavam suas falas e um suor gelado corria da minha testa. Em cena, sem ter a
menor ideia do que fazer ali, tentando pelo menos manter o personagem pra não
atrapalhar o espetáculo... Porque ele sim, tinha que continuar.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
A pequena vendedora de fósforos
Não é culpa de ninguém. Se for
responsabilidade de alguém, é só minha.
Mas eu estou com raiva. E pela
primeira vez na vida eu me permito estar com raiva. Por quê sempre quando chega
na minha vez acabou o amor? O amor que estava lá apenas um pouco antes?
Quantas vezes isso já aconteceu?
Quantas outras voltará a acontecer antes que eu também desista? Conheço muita
gente que desistiu. Cansou. E eu também não estou mesmo mais cansada do que
gostaria?
A gente passa uma vida inteira ouvindo
que nossa presença não é importante o suficiente. Não é desejável o suficiente.
Não é suficiente, simplesmente. A gente se sente como se fosse deficiente. Há
gente que não escuta, há gente que não enxerga, há gente que não existe pra ser
amada. Simples assim. E internamente a gente se repete que isso não é verdade,
que devem existir outras realidades onde sejamos suficientes, e a gente se
repete tudo aquilo como um mantra, todos os dias. E de alguma forma a gente até
aprende a se olhar com um certo carinho, e entender que, sim, até que pode se
amar. Mesmo que o aprendizado sempre tenha sido o de não ter importância, a
gente se repete internamente até a exaustão que, ainda que a gente não saiba,
pra alguém, em algum lugar, de alguma forma, a gente há de ter importância. Não
só pra nós mesmos. Porque a gente sabe que de alguma forma tem pra oferecer de
volta aquilo que deseja. A gente tem qualquer coisa bonita nas mãos pra
oferecer. Mas, dia e noite, todo mundo passa apressado e ninguém espera pra ver
os fósforos que a gente tem pra oferecer. Aquela luzinha pequena que ilumina e aquece o suficiente
apenas por alguns segundos, mas que com o combustível certo poderia sim causar
um incêndio. Mas falta tempo aos outros para perceber. Ou para que isso tenha
alguma importância.
Porque há dias de fragilidade
extrema. Onde um abraço e um “eu me importo com você” fariam diferença...
Tem dias que eu tenho vontade de
gritar. Tenho vontade de também conseguir dizer foda-se. Não consigo.
Mas subitamente entendo porque
estou na escola. Porque pensam o mesmo sobre as crianças. Dizem que eles não
tem valor. Ninguém tem tempo pra perder com eles. Eles só servirão depois que
forem úteis materialmente. Só terão valor depois que apresentarem os resultados
materiais. Antes disso devem fingir que não existem e incomodar os adultos o
mínimo possível. E a cada criança que eu
consigo fazer surpreender, eu devolvo um pouco de esperança pra mim. Eu
trabalho com eles e depois digo pros pais deles: “Olhem pra eles. Olhem como
são lindos. Olhem o que sabem fazer, orgulhem-se deles. Orgulhem-se deles hoje,
e não só depois que crescerem...” Costuma
funcionar. E dessa forma eu acendo mais um fósforo. E vejo as paisagens mais
bonitas. Até que o fósforo se apaga e cá estou novamente. Porque pra mim não
tem. E, não, ainda que fosse menos dolorido me conformar, não consigo... Quando
chega na minha vez acabou. E não há nada que possa ser feito sobre isso.
Sim, eu tenho direito de sentir
raiva porque as coisas são desse jeito. Sim, eu tenho o direito de desejar, só por hoje, não estar tão sozinha.
Então eu desejo. Mas isso também não tem importância. No fundo eu sei que é só por hoje. E isso vai passar. Enfim.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
A verdade
E eu fico aqui tentando pensar
com calma, mesmo sabendo que tudo isso tem muito mais a sentir que a pensar.
Mas eu queria falar do meu
desejo. Do meu desejo profundo hoje. Era te olhar nos olhos e te dar um abraço.
Um abraço que te fizesse entender que, sim, eu quero fazer parte da sua vida. Pra
te ver livre. Pra te ajudar a reconhecer o universo extraordinário que você tem
guardado só pra você aí dentro.
De verdade era bem pouco o que eu
queria. Era que você pudesse me olhar nos olhos também. E ao olhar
profundamente nos meus olhos, perceber a verdade do que digo. Que não houvessem
cicatrizes gritando e te dizendo: “preserve-se, porque ela vai te deixar tão
brevemente como veio”
Se nós dois viéssemos zerados de
histórias, seria provável que nos déssemos as mãos e pulássemos juntos dentro
dessa história, aceitando alegremente qualquer lugar onde ela nos levasse. Mas
é bem complicado amar depois que ficamos adultos. Porque outras histórias já
aconteceram, e doeram tanto tanto. E um dia a gente tem que olhar praquela nova
pessoa e lembrar que ela não é nenhuma das que já passaram antes. Porque algo
em nós insiste em dizer que é, e que é muito mais fácil sair de perto agora,
pra doer só um pouquinho, do que sair depois que a ferida estiver aberta toda
de novo. A gente pensa que vai se odiar se tiver se permitido acreditar mais
uma vez, pra mais uma vez perceber que só era mais do mesmo, perceber que só se
confirmava aquela velha profecia interna que disse que o melhor mesmo era a
gente ficar sozinho pra sempre.
Eu não tenho como combater nada
disso. Vontade de dizer: “Ei, olha pra mim, eu também posso ser alguém
extraordinário”. Mas qualquer coisa que eu dissesse seriam apenas palavras. Então
eu digo que vamos ser amigos, e sim, acho que independente de qualquer coisa
seremos mesmo bons amigos. Mas eu vou me deixando ficar aqui, bem quietinha,
quase escondida, pra tentar entender como isso tudo funciona, porque eu também
tô com medo. Tô com medo dessa delicadeza que chega a me comover. Tô com medo
dessa coisa tão rara de quando a gente encontra alguém e antes mesmo de se dar
conta, percebe que “essa pessoa valeria muito a pena poder amar”.
É um lugar tão delicado de se
estar, que o certo seria mesmo dar o fora. Mas não vou. Talvez porque eu nunca
tenha estado num lugar assim tão bonito. Talvez porque então deva valer a pena,
seja qual for o preço de permanecer aqui. Talvez porque eu sou a menina que
espera. Espera quanto precisar. Até que me convidem pra entrar.
Leveza é uma escolha
Leveza é uma escolha. E eu simplesmente não tenho outro
caminho.
É desse jeito que fui me fazendo,
principalmente nos últimos dois anos. Entendendo que as coisas podem não ser
simples, nem fáceis, mas que olhar com alegria ajuda a seguir em frente de um
jeito muito mais doce. Hoje, tudo, absolutamente tudo o que eu coloquei na
minha vida eu escolhi. Eu quis que estivesse na minha vida. Como então eu
poderia reclamar? A porta está aberta, eu posso sair a qualquer momento...
Não. Eu não tenho nenhum motivo
pra reclamar. Mas ainda fico indignada com tantos tesouros trancados
escondidos. Ainda quero trazer pra fora aquela luz maravilhosa e deliciosa que
só fica escondida debaixo da cama. Aquela luz que um dia foi generosamente
compartilhada comigo. Todo mundo deveria conhecer aquilo e o mundo seria um
pouquinho mais encantador...
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