segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dezembro de 2012 - O novo tempo

O novo tempo chegou, bem antes do que eu imaginei.
Novas perspectivas profissionais. Muita vontade de fazer acontecer.
Um renascimento geral.
Uma insuportável vontade de viver.
A vida começa agora.
Eu nem cheguei na metade ainda.
Bora ser feliz.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Visualizando o nada

Acordei num grande limbo cinzento. Que lugar é esse e como cheguei aqui?
O silêncio ensurdecedor. Somente o som dos meus próprios passos. E onde estavam todos?
Talvez não existisse mais ninguém. Talvez eu fosse a única sobrevivente mesmo. Mas do quê?
Procuro me lembrar de alguma referência, alguma memória, alguém com quem eu tenha convivido, uma casa pra onde voltar. A memória está vazia. E então existe o "quem sou eu": filha de alguém, amiga de alguém, esposa de alguém, mãe de alguém? E eu já não sabia.
Abri a boca para gritar, mas não havia ninguém por perto. Martelando por dentro um sentimento de "não adianta".
Onde estão? Onde estão todos?
Procuro olhar no chão, algum objeto, qualquer coisa que me de sinal que por ali, em algum momento, alguém já passou. Não há pegadas naquela areia. Sim, é areia... Talvez uma praia... Não, não parece haver nenhuma água por perto, é um deserto.
Penso que gostaria de ter um lápis, um pedaço de papel, uma garrafa. Eu escreveria um bilhete, dizendo ao próximo que passasse que eu estive ali. Na verdade, diria que um dia existi. Um dia existi e procurei alguém ou alguma coisa. e procurei muito, com toda a força da minha alma, até ficar cansada demais até pra procurar o que quer que fosse.
E então, quando eu já não me sentia capaz de dar mais nenhum passo, eu simplesmente deitei no chão e deixei-me ficar ali, de alguma forma ainda rezando pra que alguém ou alguma coisa pudesse me encontrar antes que eu desaparecesse.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tão longe.

Estava lá. Naquele lugar desconhecido, com pessoas que nunca tinha visto. Anoitecia. E foi então que começou. Tudo estava desencaixado demais, muitos imprevistos aconteceram para que estivesse ali, naquele exato lugar e momento. Algo importante no ar. Em algum lugar, alguma coisa muito séria estava acontecendo. Algo decisivo e definitivo. Como explicar a sensação de perceber que o momento não era como outro qualquer? Havia uma decisão a ser tomada, ou sendo tomada naquele exato instante. Uma decisão que mudaria tudo, para sempre. Uma decisão dolorida demais.
Como explicar? Como entender? Como dizer que simplesmente sei, porque senti antes mesmo de qualquer notícia chegar?
Fugi. E corri, corri, corri, querendo ir pra bem longe. Querendo não saber, não sentir. 
Milhões e milhões e milhões de pessoas no mundo. Como é que mesmo assim a gente consegue ser tão único? 
Como é que mesmo assim há momentos em que somos estrangeiros absolutos em qualquer lugar?
Existe em mim um amor imenso. Um amor profundo e transformador. Eu sei que ele transformaria o mundo todo se apenas tivesse espaço pra existir. 
Mas não. Não há. 
A sensação é de estar no fundo do mar. Flutuando. Se eu gritasse, o som não chegaria a lugar algum. Se eu chorasse, as lágrimas se confundiriam com todas as águas à minha volta. Nada, nada é possível no fundo do mar. não há nada em volta, nada por perto...
E nada, nada do lado de dentro.
E ainda assim, é possível descobrir que ainda existe alguma coisa quando a gente tem vontade de correr pra longe, tão pra longe do grande nada que o tudo se tornou. 

sábado, 27 de outubro de 2012

Tudo é silêncio

Não há dor.
Não há desespero. Não há o desejo, profundo e imenso de que tudo mude, de que de repente ainda exista uma história pra se viver.
Agora tudo é simplesmente silêncio. Silêncio e solidão.
Há um deserto imenso. Nada de árvores, nem água, nem pessoas ou animais. Nada.
Se eu gritasse, o grito ecoaria a quilômetros de distância por espaços inimagináveis.
Mas não há sentimento suficiente ou restante pro grito.
E caminhando em meio aos escombros, o silêncio se apossa da minha vida, da minha alma... Nada, só o profundo vazio que se estende para os lados em todas as direções.
Se alguém me procurar, digo que estou no banho até que desista.
Porque não, não é o momento que eu queira ver alguém.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais do mesmo. Ainda.


Não é que eu esteja sempre triste.
É que acabo vindo aqui quando tenho vontade de explodir.
Vontade que esse ano termine. Esse ano que trouxe mais novidades que todo o resto da minha vida. Tanta coisa pra lidar, que por dias só tenho vontade que tudo se transforme no mais absoluto silêncio. Que não existam pessoas, não existam compromissos, nem horários. Apenas qualquer lugar silencioso, quente, confortável, onde a gente possa simplesmente ser. Sem ter que fazer nada, mostrar nada, relacionar-se. Simplesmente ter a permissão de ser. De respirar com calma. De desfrutar da vida.
No meu coração, o deserto se faz presente. Não, não há ninguém. E quando escurece o frio me gela a alma. Eu tentei. Tentei ver outras pessoas. Tentei me dar oportunidades, afinal de contas não há nada a esperar no lugar onde eu fiquei parada. Mas não é assim que funciona. A gente não decide. O sentimento enxerga com olhos que a gente não vai entender nunca, e quando ele vê o que a gente não sabe o que é, sai correndo, desabalado. E a gente corre atrás dele, rezando pra que seja bom, ou pra que pelo menos não nos machuque tanto.
Sensibilidade à flor da pele. Daí memórias e dor que vem à tona. È a Lua. É o dia. Hoje é outro daqueles dias de enlouquecer. Sentimentos amplificados. Dou-me conta do motivo pelo qual certas coisas ainda me doem tanto. Alguns sentimentos tiveram sua ultima chance. Uma vez perdida, a inocência está perdida pra sempre. Histórias vividas podem ser relidas, podem ser vistas sob outros aspectos. Mas serão sempre as nossas histórias. Sua essência não muda. Cicatrizes poderão ser vistas, por mais sentido que se dê a elas, continuarão desenhando nosso corpo e nossa alma...
Quando olho pra dentro de mim, o velho amor permanece. Teimoso e firme. Ainda que eu não olhe pra ele, ele está lá, quietinho. Ainda que eu o mande embora inúmeras vezes, ele simplesmente continua ficando. Ficando como quem não quer nada. Ficando como quem ainda não aprendeu a ir embora. E então eu o abraço de novo, e digo a ele "pois que fique". Que fique o quanto quiser, o quanto aguentar, o quanto sobreviver. Não há nada que eu possa fazer, então fique... 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sério. Entendi



Sério. Eu entendi.
Entendi que por vezes nossa vida é sacudida por sentimentos intensos e maravilhosos, mas que a gente tem que conviver com o fato que isso não quer dizer nada.
E eu me sinto Ícaro, finalmente tendo asas e resolvendo visitar o Sol, até que as asas derretam e se despenque ao chão, despedaçando tudo pra sempre.
E então, que vida pode haver depois de ter experimentado tamanho esplendor de chegar perto do carro de Apolo que cruza o céu? E seu eu tivesse dez vidas, vinte vidas, eu queimaria todas tentando e tentando chegar o mais perto que eu pudesse até não restar nem mesmo meu ultimo suspiro.
Não faz mal. Mesmo se não for nada. Nunca. Eu voei tudo o que pude. Eu cheguei perto do Sol, eu queimei completamente as minhas asas, eu despenquei e morri. E estou inteira. Pronta pra estar viva, seja lá o que for que ainda me aguarda nessa vida. Esse ano foi tão miserável, mas sempre teve uma coisa boa pra acontecer no meio do caminho, mesmo quando parecia que nada nunca mais ia ser bom...
Não há sequer qualquer coisa pra esperar. Não tem nada pra acontecer. Somos assim.  E mesmo sendo uma pena pensar que a gente podia ser tanto, tanto mais... A vida é o que é. Nem mais, nem menos...  
Será que um dia penso em você sem sentir essa dor profunda a aguda que me acomete toda vez?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Apesar


Por muito tempo tentou não pensar. Porque pensar seria doloroso demais. Porque não podia se impedir de chorar e lamentar profundamente a vida que deixou de acontecer.
Exatamente como um aborto. Sim. Era triste porque não era só a perda. Era uma interrupção do vir-a-ser. Era nunca conhecer o que poderia ter sido. E isso era triste, imensamente triste. O peso de um jamais. O peso de um para sempre ao contrário. A dolorida verdade da vida que já não existia. Aquele aborto deixaria para sempre um espaço vazio, um espaço reservado a um colorido e a possibilidades infinitas que nunca tinham encontrado espaço pra ser de fato.
Tudo era um imenso silêncio. O vento já não soprava, e o deserto parecia tão maior. Aquele frio voltara, desde os primeiros momentos. Em algum lugar nevaria para sempre, e nada seria capaz de ser forte o suficiente pra aquecer.
E foi só então que ela chorou. Chorou a perda do aborto, que por tanto tempo tinha se anunciado, aquele aborto que estava anunciado desde a concepção, desde o primeiro instante onde aquela semente de vida tinha aparecido. Aquele choro que chovia. E em algum lugar da alma a chuva era torrencial.
Ela tinha se livrado de tantas correntes, de tantos cadeados, de tantas prisões. E no exato decisivo tempo, a porta foi escancarada, por um breve instante ela tinha estado vulnerável, alcançável, ela esteve ali, nua, de verdade, cheia de uma verdade que doía de tão intensa. Uma verdade que sangrava. A porta se abriu. E ela tinha esperado, e esperado. Até que o aborto aconteceu. Foi-lhe embora a vida, e como doía...
Sim, podem haver outras gestações, outras forma de vida, outras promessas... Mas a porta trancada, aquela porta, aquela que dava acesso a tudo, aquela que só tinha uma chave mestra, essa tinha sido trancada pra sempre... Do lado de dentro, em algum lugar, se pararmos pra ouvir com atenção, ainda podemos escutar os gritos abafados, o desconforto estrondoso das lágrimas que caem no mais completo silêncio...
A vida, isso que chamamos vida, continua impassível do lado de fora. Porque é assim que as coisas sempre são.