No rótulo da minha vida podia estar escrito: aprecie com moderação. Mas não adiantaria. Passei muito tempo imóvel. E agora tenho uma sede intensa de tudo ao mesmo tempo. Desde a doença da minha mãe, então, eu senti que ela não tinha mais tempo de ser feliz, mas eu tinha. E podia.
E então eu amo como nunca amei ninguém. Amo com toda a minha alma.
E eu exerço minha maternidade como nunca exerci antes. Quando estou com o meu filho não existe mais ninguém.
E eu estou comprometida com o meu trabalho também, desde que consegui voltar a raciocinar.
Sim, eu sei que deveria ser mais suave. Se eu fosse mais suave, se eu pegasse mais leve, não teria assustado o homem que eu amo e que agora é definitivamente meu amigo. Eu sei.
Se eu fosse mais suave, teria saído do meu trabalho sem protesto do meu chefe, que além de não querer que eu saísse acabou me oferecendo melhores condições de trabalho...
Mas a questão é que então não seria eu. Seria uma personagem. De novo.
E eu estou repleta de personagens. No que realmente importa, eu não os quero.
O que quer que tenha que dar certo, ou errado, que seja por mim. Que seja porque estou sendo, e sendo de verdade. Assim como tem sido.
Mesmo se o furacão for intenso demais e sair assustando quem encontrar pelo caminho, esse furacão é o que eu sou.
E que, um pouquinho a cada dia, tô aprendendo a amar.
Sim, sou intensa demais. Nunca fui, mas a verdade é que agora eu sou. Quem me conhecer leva o pacote todo do meu furacão. Assim que é.
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