quinta-feira, 9 de agosto de 2012

É assim


Quando eu vou trabalhar longe, como é o caso agora, a solidão bate com bastante força. Por mais que eu conheça as pessoas, e um monte de gente nova... Puxa, é tão cansativo, que chega uma hora que o que a gente mais quer é ficar num cantinho tranquilo e em silêncio... Mas o mesmo tempo dá vontade de abraçar um amigo (pode ser amiga também) e deixar-se ficar, só um pouquinho... Não precisava nem ser muito. Porque eu me recupero rápido...
São muitas energias diferentes ao mesmo tempo. A energia de 50 pessoas, por oito horas seguidas, todo mundo concentrado em mim. OK, é o meu trabalho. Mas é como se eu fosse minguando conforme as horas passam. No caso desse grupo, não é uma troca. Eles estão obrigados a estar ali, e mais da metade está participando do curso porque não teve escolha. E não há nada que eu possa fazer quanto a isso a não ser deixar o mais agradável possível. Mas eles ficam com raiva e chegam batendo de frente e criticando tudo E a gente precisa ter um sorriso no rosto e uma resposta que não nos comprometa. Cansa. Cansa muito Não é só o cansaço físico, é um esforço mental imenso... Acho que nem é mental, é um desprendimento de energia mesmo... como se fosse uma doação de sangue sem fim.
Responsabilidade toda minha. Minha identidade profissional é um homem. Tudo eu mato no peito, eu me garanto, eu ofereço segurança até pro chefe. “Deixa que eu resolvo”. E resolvo mesmo. Hoje recebi vários elogios pelo meu trabalho, que finaliza por aqui amanhã.
Mas... estou a ponto de chorar... de pura exaustão. E quando eu voltar para casa, as demandas serão ainda maiores.
Só por hoje, eu queria não ter mais nada pra fazer.
Só por hoje, eu queria sair pra ir no cinema e dar beijo na boca.
Só por hoje, eu queria não ser responsável por mais nada... Porque tem dias que brincar de Atlas é muito dolorido.
Só por hoje eu só queria conseguir chorar, e chorar, e chorar... Tudo o que ainda não deu tempo. E essa sensação que não passa, de que eu não posso chorar porque se cair eu vou me quebrar, e então eu tenho que estar de pé.
Eu não tenho tempo de me deixar ficar frágil.............
Mas já estou.
E nesse momento não há nada que eu consiga fazer. A não ser deixar vir.
A solidão, a dor, a desesperança, a saudade, o desejo, as frustrações todas, e esse cansaço, imenso cansaço...
Acho que chorar vai me deixar mais descansada. Amanhã tenho que estar inteira e ligada no 220 de novo. E depois de amanhã, e depois de depois de amanhã... Sustentando o que precisa estar em pé.
Mas nesse momento é minha noite escura. Meu deserto. Tá difícil ver qualquer coisa que seja bonita agora...  


Nenhum comentário:

Postar um comentário