Vontade de sair correndo, e correr, correr, como se eu
pudesse ir longe e longe até desaparecer. Não sou quem sempre pensei que fosse,
e não tenho a menor ideia do que estou vendo quando olho pra mim então. Um
gigantesco escuro. E isso é bizarramente
hilário. E experimento esse estado estranho, alterado, quase como se eu
estivesse bêbada, mas eu nem tomei nada... Talvez devesse tomar. Quando nenhuma
luz parece se apresentar e você já está caindo há muito tempo, desaparece a
vertigem.
Há quanto tempo não há chão algum embaixo dos meus pés? Esse
chão estará de volta algum dia? Tudo o que existe agora é a queda. Queda livre,
os braços e pernas deixam de se agitar, já não precisam se agarrar. Já
entenderam que não há nada por perto. Pelo menos nada que dê conta de me segurar com força... De alguma forma eu passei um tempão
pedindo com desespero pra ser segura de alguma forma, só um pouco, e eu implorei por isso pra não chegar no lugar que estou agora. E agora que cheguei já não peço mais nada. Sim, eu sei que não estou bem. Mas
um lado raivoso em mim grita “foda-se então!” Afinal, que raios eu tenho a
perder agora? Tudo não terá que ser reconstruído de qualquer forma? Que me
importa se cair também agora o quase nada que continua? E por acaso algo continua?
Quando a gente não tem como continuar seguindo, e também não
pode parar, então foda-se. Com fúria, com raiva, com desespero, mas me sentindo
viva, teimosamente viva... Tá doendo, não vai parar de doer agora, e nesse
momento nada do que eu faça pode amenizar. Então foda-se. Então eu grito. Se a
única coisa que me resta é o grito, então eu grito. Grito todos os gritos do
mundo... Um grito infinito que fica ecoando mundo afora.
Eu me pergunto se era necessário tudo isso assim, nessa
sequência alucinada, as ondas me afogando com vertiginosa velocidade. E logo
vem outra onda, e outra, sem intervalo, sem permitir que eu fique em pé desde a
ultima onda que me derrubou, e eu fico procurando onde foi parar a sanidade de
estava aqui e eu respondo a mim mesma que foda-se. Não está mais. Acabou-se a sanidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário