Pra que tanto frio? Pela primeira vez me encolho, fico em silêncio, engolindo tudo o que eu gostaria de dizer, porque não há lugar, não há lugar...
Antes que eu possa evitar, as trevas envolvem tudo. já não há contentamento, já não há mais vida pulsante que corre... Sequer existe algum desejo agora...
Tudo está aí. Eu olho pra tudo o que foi, pra tudo que poderia ter sido... E tanto faz.
Mais nada. Nem dor, nem tristeza, nem aquele desejo desesperado de me agarrar em alguma forma de vida para não ser arrastada...
Não sobrou resistência. Não sobrou força pra ficar em pé ou procurar solução. Não sobrou lágrima.
Depois de um tempo, percebo que nem o frio incomoda mais.
Olho pra trás, não há caminho pra onde voltar. Olho pra frente, nada. Começo a me aninhar por aqui mesmo, o meio da estrada, procurando um lugar um pouco menos desconfortável onde eu possa ao menos repousar minha cabeça, só por agora, só por agora... Um cansaço profundo. É minha alma que está cansada. É ela que se recusa a continuar em pé, a tentar ser o mais valente que puder... ela se recusa. Ela quer ficar quieta, sem se mexer. Ela só quer não precisar ouvir mais nada, nem falar mais nada... Ela só quer poder silenciar, silenciar o mundo, reduzir tudo à escuridão e ao silêncio, onde ela pudesse finalmente dormir...

Nenhum comentário:
Postar um comentário