Enfim.
A ficha caiu.
Não tenho mais mãe. Agora EU sou a mãe. Agora sou eu quem cuido. Do meu pai do meu filho, dos meus irmãos, dessa casa, do trabalho... de tudo.
Minha mãe tem auxílio funeral, correspondente a um mês de salário dela. Mas tem que dar entrada nisso na Secretaria da Fazenda.
Meu pai vai ter pensão porque minha mãe era funcionária pública. Mas tem que ir atrás disso.
Todas as contas da minha mãe em banco precisam ser fechadas. Todos os cartões precisam ser cancelados.
Essa casa tem uma TV a cabo que é paga todo mês mas que não funciona. Tem que mandar consertar.
O chuveiro do meu quarto derruba o disjuntor se o banho passa de 05 minutos. Tem que trocar o disjuntor.
Boa parte das coisas do meu pai continuam entulhadas no meio do meu quarto, e eu preciso esperar ele fazer, porque as coisas são todas dele. Ele tem que decidir o que é pra jogar fora, o que vai manter. Com muita delicadeza, que o momento é sensível.
Preciso ir na auto-escola. E na academia. E falar com o terapeuta. E com a advogada do divórcio. Comprar roupa de frio pro João, que as dele estão todas pequenas demais. Cuidar do meu pai, fazê-lo ter a segurança de não estar sozinho.
Preciso trazer um bando de coisas que ficaram na outra casa e que ainda não caberiam aqui.
Preciso retomar boa parte das atividades do trabalho.
Preciso decorar o texto da Madalena. E relembrar as falas de Lisa. E achar o figurino delas.
Preciso decidir com meus irmãos, dentre essas coisas, quem vai fazer o quê. Pra gente dividir um pouco.
E então eu olho pra tudo isso....
E, sério, me bate um cansaço tão grande... Não sei nem por onde começar a organizar. Lutando bravamente contra a imobilidade, a paralisia, a vontade de dormir e só acordar daqui a seis meses, com tudo isso resolvido, terminado...
Repito o mantra das mães: Vai passar, vai passar, vai passar...
Mas tem dias que tudo parece tão grande e eu tão pequena...
Mas vai passar.
terça-feira, 31 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Fim
E então, enquanto eu escrevia o post anterior, o coração da minha mãe deixava de bater. Uma hora ou pouco mais depois de eu pedir que ela fosse... Ela já não estava mais entre nós.
Daí em diante foi aquela correria. Corpo, contato com hospital, sepultamento. Familia. Avisos a todo mundo .
Hoje é o dia seguinte. Não tenho mais que organizar as noites com ela, não tenho mais que guardar o dinheiro pra pagar as plantonistas do dia, não estou mais ansiosa pensando que a qualquer momento o telefone pode tocar. Ele já tocou.
Acabou. Acabou toda a vida que eu conhecia. Por minha escolha acabou também todo o resto. Organizar tudo agora. Meu quarto, minha casa, meu pai, meu filho, meu trabalho, meu divórcio, meus horários, o teatro.
Academia a partir de hoje. Porque preciso zerar o meu corpo. Se quero continuar sendo atriz, (e já sei que isso é o que realmente me realiza), eu preciso de um corpo diferente desse. Ele tem que comportar qualquer personagem. Pra isso eu tenho que emagrecer no mínimo uns 20 quilos. Pra já. Pra que no trabalho com Shakespeare eu já possa encaixar-me em qualquer papel e não precise ser sempre a mãe de alguém...
E o meu amor, imenso amor que guardo aqui?
Pois é, esse ainda me dói. E vou ter que aprender a lidar com isso. E ok, é exatamente o que vou fazer.
Ele é meu amigo. E ponto. Vou ter que conviver com isso, com toda a gratidão pelo nível dessa amizade.
Ele tem histórias. Ninguém chega zerado ao outro. Infelizmente eu também tenho as minhas. E elas também me doem. Sete anos de casamento com um homem que me amava (e me ama até hoje), mas que nunca me tocava. Não sentia atração física por mim. Não tinha tesão. E eu me sentia frustrada, problemática, achava que a responsabilidade disso era toda minha e que deveria haver algo que todas as outras mulheres soubessem menos eu para serem sensuais, atraentes ou sabe-se lá o raio que o parta que ele estivesse procurando e não encontrava em mim.
Isso não fez nada bem pro amor que sinto por mim mesma. Machucava. Machucava todo dia.
E agora de alguma forma vejo acontecer bem parecido, doendo no mesmo lugar... Uma simples constatação de que ele é meu amigo porque não se sente atraído por mim, não tem vontade de beijo na boca, nem de sexo, nem de nenhum contato físico que remeta a alguma coisa diferente de um cuidado e carinho imensos.
Se ele sentisse tesão por mim já seria complicado, porque eu teria medo, Mas dessa forma, então... muito mais.
Não banco mais. Tô numa fase em que eu me jogo nos meus sentimentos, e não ligo de me machucar. Quero mais é viver de verdade, mesmo que isso me cause algumas feridas. Mas não exatamente no mesmo lugar que foi machucado uma vida inteira, e agora precisa cicatrizar. A gente não é só alma se comunicando. A gente é corpo, um corpo que quer e precisa ser aceito, desejado... Eu não sei lidar com isso, mas preciso aprender. Eu não sei o que fazer com meu corpo, não soube a vida inteira o que fazer com ele. Eu não me sinto em casa dentro dele, é como se ele fosse uma coisa estranha que não representa quem eu sou de fato, um peso que eu carrego comigo pra todos os lugares. Mas agora ele grita pedindo atenção, pedindo pra ser acolhido de fato, pedindo pra se integrar em quem eu sou.
Tá na hora de sintonizar no mundo fisico. Entrar em contato com meu corpo, experimentá-lo de fato, acolhê-lo, e (por quê não?) sentir esse corpo desejado. Por mim e pelo outro. Eu preciso muito disso. Eu preciso muito saber que corporalmente não sou uma mulher deficiente, que repele os homens, que não conseguem enxergar nesse corpo uma mulher. Eu sei que é absurdo, mas é assim que vejo, que sempre vi. E sei que isso é uma responsabilidade inteiramente minha e só eu posso resolver.
Então não dá. Amor sem contato físico é amizade. Eu aceito a amizade. Mas ao mesmo tempo então tenho que calar o meu amor. Porque senão ele vai doer. Vai doer a falta da proximidade, e eu vou ficar repetindo pra mim mesma que é claro que as coisas são assim porque tudo o que tenho de atrativo não está no corpo, e é claro que ele não olha pra mim porque ninguém olha, porque meu corpo não existe pra ser visto dessa forma e nunca foi. E eu vou continuar me machucando assim se continuar com isso. Repetindo a mim mesma o que a minha mãe dizia sobre a minha inadequação, sobre eu ser desajeitada e feia. Não. Minha mãe morreu e eu escolho que a partir de agora as coisas são diferentes.
Sim, ele me ama. Ainda que não diga, eu sei, porque ninguém é tão atencioso e fantástico com o outro se não for por amor. Mas atração física é outra coisa. Acontece, não depende da vontade de ninguém. Ele não tem como forçar isso, e me resta entender. E me preservar. Eu sou a única responsável pelos meus sentimentos e minhas escolhas... Eu não banco fazer de novo isso comigo, de ficar á espera de um toque qualquer a me lembrar que sou mulher. Eu tenho que resolver isso sozinha, de forma independente, pra que pare de doer.
E então, nesse momento, eu faço a única coisa que posso: ficar em silêncio. Sem novas mensagens, sem telefonemas, sem procurar mais nada. Aproveitando a parte boa e sendo grata por ela. E mais nada.
O resto pertence a mim.
Daí em diante foi aquela correria. Corpo, contato com hospital, sepultamento. Familia. Avisos a todo mundo .
Hoje é o dia seguinte. Não tenho mais que organizar as noites com ela, não tenho mais que guardar o dinheiro pra pagar as plantonistas do dia, não estou mais ansiosa pensando que a qualquer momento o telefone pode tocar. Ele já tocou.
Acabou. Acabou toda a vida que eu conhecia. Por minha escolha acabou também todo o resto. Organizar tudo agora. Meu quarto, minha casa, meu pai, meu filho, meu trabalho, meu divórcio, meus horários, o teatro.
Academia a partir de hoje. Porque preciso zerar o meu corpo. Se quero continuar sendo atriz, (e já sei que isso é o que realmente me realiza), eu preciso de um corpo diferente desse. Ele tem que comportar qualquer personagem. Pra isso eu tenho que emagrecer no mínimo uns 20 quilos. Pra já. Pra que no trabalho com Shakespeare eu já possa encaixar-me em qualquer papel e não precise ser sempre a mãe de alguém...
E o meu amor, imenso amor que guardo aqui?
Pois é, esse ainda me dói. E vou ter que aprender a lidar com isso. E ok, é exatamente o que vou fazer.
Ele é meu amigo. E ponto. Vou ter que conviver com isso, com toda a gratidão pelo nível dessa amizade.
Ele tem histórias. Ninguém chega zerado ao outro. Infelizmente eu também tenho as minhas. E elas também me doem. Sete anos de casamento com um homem que me amava (e me ama até hoje), mas que nunca me tocava. Não sentia atração física por mim. Não tinha tesão. E eu me sentia frustrada, problemática, achava que a responsabilidade disso era toda minha e que deveria haver algo que todas as outras mulheres soubessem menos eu para serem sensuais, atraentes ou sabe-se lá o raio que o parta que ele estivesse procurando e não encontrava em mim.
Isso não fez nada bem pro amor que sinto por mim mesma. Machucava. Machucava todo dia.
E agora de alguma forma vejo acontecer bem parecido, doendo no mesmo lugar... Uma simples constatação de que ele é meu amigo porque não se sente atraído por mim, não tem vontade de beijo na boca, nem de sexo, nem de nenhum contato físico que remeta a alguma coisa diferente de um cuidado e carinho imensos.
Se ele sentisse tesão por mim já seria complicado, porque eu teria medo, Mas dessa forma, então... muito mais.
Não banco mais. Tô numa fase em que eu me jogo nos meus sentimentos, e não ligo de me machucar. Quero mais é viver de verdade, mesmo que isso me cause algumas feridas. Mas não exatamente no mesmo lugar que foi machucado uma vida inteira, e agora precisa cicatrizar. A gente não é só alma se comunicando. A gente é corpo, um corpo que quer e precisa ser aceito, desejado... Eu não sei lidar com isso, mas preciso aprender. Eu não sei o que fazer com meu corpo, não soube a vida inteira o que fazer com ele. Eu não me sinto em casa dentro dele, é como se ele fosse uma coisa estranha que não representa quem eu sou de fato, um peso que eu carrego comigo pra todos os lugares. Mas agora ele grita pedindo atenção, pedindo pra ser acolhido de fato, pedindo pra se integrar em quem eu sou.
Tá na hora de sintonizar no mundo fisico. Entrar em contato com meu corpo, experimentá-lo de fato, acolhê-lo, e (por quê não?) sentir esse corpo desejado. Por mim e pelo outro. Eu preciso muito disso. Eu preciso muito saber que corporalmente não sou uma mulher deficiente, que repele os homens, que não conseguem enxergar nesse corpo uma mulher. Eu sei que é absurdo, mas é assim que vejo, que sempre vi. E sei que isso é uma responsabilidade inteiramente minha e só eu posso resolver.
Então não dá. Amor sem contato físico é amizade. Eu aceito a amizade. Mas ao mesmo tempo então tenho que calar o meu amor. Porque senão ele vai doer. Vai doer a falta da proximidade, e eu vou ficar repetindo pra mim mesma que é claro que as coisas são assim porque tudo o que tenho de atrativo não está no corpo, e é claro que ele não olha pra mim porque ninguém olha, porque meu corpo não existe pra ser visto dessa forma e nunca foi. E eu vou continuar me machucando assim se continuar com isso. Repetindo a mim mesma o que a minha mãe dizia sobre a minha inadequação, sobre eu ser desajeitada e feia. Não. Minha mãe morreu e eu escolho que a partir de agora as coisas são diferentes.
Sim, ele me ama. Ainda que não diga, eu sei, porque ninguém é tão atencioso e fantástico com o outro se não for por amor. Mas atração física é outra coisa. Acontece, não depende da vontade de ninguém. Ele não tem como forçar isso, e me resta entender. E me preservar. Eu sou a única responsável pelos meus sentimentos e minhas escolhas... Eu não banco fazer de novo isso comigo, de ficar á espera de um toque qualquer a me lembrar que sou mulher. Eu tenho que resolver isso sozinha, de forma independente, pra que pare de doer.
E então, nesse momento, eu faço a única coisa que posso: ficar em silêncio. Sem novas mensagens, sem telefonemas, sem procurar mais nada. Aproveitando a parte boa e sendo grata por ela. E mais nada.
O resto pertence a mim.
sábado, 28 de julho de 2012
Agora vai. Por favor.
É. Tá doendo. Essa coisa estúpida
e violenta que é ter que lidar com a proximidade da morte. Não, não com a morte
em si. Mas com esse “estar morrendo” que parece prolongar-se pela eternidade
afora, salpicando tudo de sofrimento. Quanto de sofrimento ainda é necessário?
Eu tenho aceitado tudo até onde
consigo. Tenho procurado manter minha cabeça e meu coração concentrados na luz,
na alegria, na vida, no amor. Mas há momentos, especialmente nos últimos dias,
em que estou mergulhada num cansaço infinito, em que só queria poder parar
tudo, dormir uma semana seguida, mergulhada no mais profundo silêncio. Hoje,
como Perséfone, retorno mais uma vez ao escuro reino de Hades, onde tudo é
silêncio. Ela sufoca, e a falta de ar é quase palpável. É possível sentir
fisicamente essa falta de ar, de tão densa. Minha mãe se agarra na cama
amedrontada, mesmo sem consciência de quase nada agora. Meu pai fragilizado,
meu irmão cada vez mais afastado dessa situação, e minha irmã enlouquecendo.
Ela precisa ir. Sou a única que permanece
mais ou menos em pé. Sou a única que ainda consegue ficar sozinha com ela e
segurar em sua mão. O quanto é importante e forte segurar na mão! O quanto é
possível salvar uma pessoa segurando em sua mão... Dia desses senti isso com clareza e com toda
a força da minha alma...
Hoje eu vou pedir. Vou pedir a
ela que não tenha medo de ir. Vou pedir ao Universo que a ajude a sentir-se
segura pra ir. Vou pedir a qualquer presença amiga que esteja por perto que
possa estender a mão pra ela, amorosamente, e ensiná-la a trilhar o caminho. Ela
precisa ir. Eu sei que não sou eu que decido. Mas sei também que tudo já foi
consumado. Que a vida é generosa. Que ela merece há muito tempo descansar,
recuperar-se, perdoar a si mesma, dar fim ao inferno e estar em paz...
Deus me ilumine pra que eu
consiga ajudá-la. Hoje. Esta noite.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Seja como for...
Tudo parece menos pesado depois de duas horas de sono...
Estou aprendendo todo dia, numa velocidade vertiginosa.
Quando estou com a minha mãe, eu fico durona e sou forte. Mergulho na dor, estou plenamente ali, emaranhada no reino da escuridão infinita. Dói tudo que tem pra doer, mas eu estou ali.
Mas a manhã chega, e volto pras outras coisas da minha vida. E vem a necessidade do viver intenso, de experimentar as alegrias com a mesma intensidade. E eu amo intensamente, e fico intensamente feliz, e dou risada com os amigos, cada instante importa.
E onde está a pessoa que fugiu das emoções uma vida inteira? Que dava um jeito de se ausentar de tudo o que parecesse perigoso, por achar que não dava conta?
Agora só existe um assim seja o presente. O presente multifacetado, ora dolorido de uma dor intensa e profunda, ora tão feliz que parece que só a felicidade existe e está em tudo. E eu estou nesse exato instante, em cada um dos exatos lugares por onde passo. Pela primeira vez na vida...
Seja como for, venha o que vier, que VENHA! Que venha a verdade em todos os sentidos.
Dois aprendizados importantes:
1- O que tem que ser, tem força própria. Vai superar os obstáculos pra acontecer. O que não tem que ser, nem toda a força do universo poderá mover. Não nos pertence o controle sobre a vida e a morte, nem sobre os sentimentos alheios.
2- Quando alguém vive de verdade, todos os outros também vivem. Porque o intenso desejo da vida é acontecer.
Gratidão profunda.
http://youtu.be/WOa9mFRTDq4
domingo, 22 de julho de 2012
Vida-Morte-Vida
O ciclo vida-morte-vida vai se acelerando num velocidade vertiginosa.
Não há tempo para parar, subir à tona pra respirar, não há tempo pra nada.
A vida dela tá se esvaindo na frente dos meus olhos. E eu sinto que chegou o momento. De ajudá-la a pular essa ponte. Ela está morrendo de medo. Não é fácil deixar pra trás tudo o que conhecemos, tudo o que nos é familiar, e se enxergar diante da possibilidade do desconhecido na mais profunda solidão.
De modos diferentes, eu e ela pulando na água gelada. O frio. A desproteção. A vulnerabilidade. Sem armas. Não temos escolha, as armas ficaram todas lá, onde as deixamos quando nos despimos. É assim, de peito aberto que eu e ela enfrentamos nossa história.
Que venha! Que venha a alegria, a tristeza, o amor, a dor... Que venha o que tiver que vir. Que venham as lições, os desafios, os aconchegos... Que venha tudo. Tudo o que for presente para mim agora. Eu receberei, e serei grata, por pura confiança. Confiança de que o que tem que ser tem força. Que tudo acontece pra o melhor, mesmo quando não conseguimos ver. Agora ela dorme e sorri. Acho que está rodeada de amigos queridos. Eu sei, tenho certeza que sou eu a ajudar a fazer essa passagem. Hoje ou por esses dias, só eu poderei ajudá-la com o medo... É o pedido da vida pra mim agora...
Não há tempo para parar, subir à tona pra respirar, não há tempo pra nada.
A vida dela tá se esvaindo na frente dos meus olhos. E eu sinto que chegou o momento. De ajudá-la a pular essa ponte. Ela está morrendo de medo. Não é fácil deixar pra trás tudo o que conhecemos, tudo o que nos é familiar, e se enxergar diante da possibilidade do desconhecido na mais profunda solidão.
De modos diferentes, eu e ela pulando na água gelada. O frio. A desproteção. A vulnerabilidade. Sem armas. Não temos escolha, as armas ficaram todas lá, onde as deixamos quando nos despimos. É assim, de peito aberto que eu e ela enfrentamos nossa história.
Que venha! Que venha a alegria, a tristeza, o amor, a dor... Que venha o que tiver que vir. Que venham as lições, os desafios, os aconchegos... Que venha tudo. Tudo o que for presente para mim agora. Eu receberei, e serei grata, por pura confiança. Confiança de que o que tem que ser tem força. Que tudo acontece pra o melhor, mesmo quando não conseguimos ver. Agora ela dorme e sorri. Acho que está rodeada de amigos queridos. Eu sei, tenho certeza que sou eu a ajudar a fazer essa passagem. Hoje ou por esses dias, só eu poderei ajudá-la com o medo... É o pedido da vida pra mim agora...
sábado, 21 de julho de 2012
Futuro do Pretérito
E nós poderíamos passear no parque numa tarde de domingo com sol. E eu poderia te olhar nos olhos e sentir que, sim, eu poderia mergulhar meu olhar neles encantada, por toda uma existência.
E você poderia tocar flauta pra mim, e eu poderia enxergar embevecida a beleza que você sempre quis mostrar e não teve quem prestasse atenção por tempo suficiente da forma certa.
E poderíamos preparar juntos cenas ou peças de teatro, e eu teria certeza que você seria um parceiro inteiro e presente sempre, porque é assim que você é.
E por vezes poderíamos andar juntos por aí, pelo simples prazer de andar, só pra podermos enquanto isso falar de qualquer coisa que nos viesse à cabeça... E poderíamos rir de histórias inventadas assim, ao imaginar as pessoas que passam.
E eu poderia te chamar pra minha casa numa noite de chuva, sem luz, para construirmos sombras na parede...
Puxa, eu consigo imaginar tantas alternativas! Todas possíveis agora, no presente, nesse presente pelo qual sou grata, que é o único instante que existe. Meu tempo é agora...
E você poderia tocar flauta pra mim, e eu poderia enxergar embevecida a beleza que você sempre quis mostrar e não teve quem prestasse atenção por tempo suficiente da forma certa.
E poderíamos preparar juntos cenas ou peças de teatro, e eu teria certeza que você seria um parceiro inteiro e presente sempre, porque é assim que você é.
E por vezes poderíamos andar juntos por aí, pelo simples prazer de andar, só pra podermos enquanto isso falar de qualquer coisa que nos viesse à cabeça... E poderíamos rir de histórias inventadas assim, ao imaginar as pessoas que passam.
E eu poderia te chamar pra minha casa numa noite de chuva, sem luz, para construirmos sombras na parede...
Puxa, eu consigo imaginar tantas alternativas! Todas possíveis agora, no presente, nesse presente pelo qual sou grata, que é o único instante que existe. Meu tempo é agora...
terça-feira, 17 de julho de 2012
Pronto
Por mais que certos anjos
iluminem nossa vida e nosso coração, há momentos em que estamos
irremediavelmente solitários. Faz parte do mundo dos adultos. Por mais que as
pessoas se acolham, se amem, há algo em nós de inalcançável. A mesma essência
que nos faz únicos nos condena a isso.
Hoje eu saí do hospital e chorei,
chorei, chorei... E de repente parecia que não haveriam lágrimas suficientes
nunca mais. Chorei todas as mortes recentes da minha vida. Chorei os enterros
que andei fazendo muito depois do que deveria. Chorei minha procrastinação,
chorei minha piedade por ela e meu desespero, chorei o meu amor... Chorei tudo.
Desejei desaparecer e deixei vir pra fora. As pessoas me olhavam na rua e
provavelmente não entendiam nada. É a vida. É a vida, que é linda, mas tem
momentos de dor. E talvez essa seja a diferença fundamental: eu escolher ser
uma pessoa feliz com alguns momentos inevitáveis de dor, e não o contrário.
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